9 de abril de 2012

A Prefeitura acabou com o PRAE

21:01 | , ,

Muito bem, caro leitor... Para hoje, trazemos o mais novo parceiro do "Fatos e Opiniões": O portal UNIBUS RN, especializado em transportes. E, para celebrar o início da parceria, trazemos o texto publicado na coluna "Garagem.com", assinada por Thiago Martins, nesta segunda-feira, 09. Boa leitura!

Créditos: UNIBUS RN

Criado em 2007, na gestão do então prefeito Carlos Eduardo Alves, o programa PRAE – Programa de Acessibilidade Especial Porta a Porta – estava inserido no TAC – Termo de Ajustamento de Conduta – firmado naquele mesmo ano pela Prefeitura do Natal, SETURN – Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Natal e Ministério Público. O ideal do projeto era que deficientes físicos – cadastrados em um sistema da Secretaria de Mobilidade Urbana (na época STTU, atualmente SEMOB) – pudessem se locomover de suas casas para qualquer ponto da cidade, marcando horário antecipadamente, pelos veículos do programa (ambulâncias e micro-ônibus), sem custo algum.

A ideia, apesar de ter chamado atenção da população, não era novidade. Já existia em outras cidades e foi copiada para Natal, bem como até hoje é copiada pelos gestores de outras capitais. O SETURN, responsável pela operação do serviço, comprou, na ocasião, 10 micro-ônibus zero KM adaptados e voltados exclusivamente para o transporte dos deficientes físicos e contratou e treinou os motoristas. Tudo, como previsto pelo termo, pagado pelo sindicato patronal. Alguns enxergam o fato como uma espécie de indenização pela falta de acessibilidade do transporte público de Natal. Faz sentido! Mas o TAC veio com a proposta da mudança, do ajuste – como o próprio nome diz. As empresas também teriam que fazer renovações anuais de acordo com suas estruturas – as renovações iam de acordo com o tamanho das empresas. Por sua vez, a prefeitura teria que fazer o reajuste anual da tarifa, fixado na taxa inflacionária do ano vigente e nos novos ônibus adquiridos pelas empresas para a renovação pedida do termo.

Perfeito! Nosso sistema de transporte se encaminhava, pelo menos, para o ajuste, e ainda tínhamos, adjuntamente, um sistema de acompanhamento para deficientes físicos – que contariam com o veículo na porta de suas casas os levando para os locais de suas necessidades – e novos ônibus adaptados nos trechos convencionais, possibilitando que um deficiente físico pudesse pegar um ônibus da linha do bairro e se deslocasse para onde quisesse, junto a uma frota renovada. No início funcionou bem. O PRAE seguiu comedidamente e as empresas renovaram até mais do que se pediu. Mas com a mudança de gestão, a atual prefeita não fez a parte dela. Houve o aumento da tarifa, de fato, mas não anualmente como foi firmado.

Atualmente, os interesses eleitoreiros falam muito mais alto que qualquer possível acordo - Seja para a volta do PRAE, o possível aumento da tarífa ou incentivos fiscais. A prefeitura já anunciou que não autorizará o aumento da tarifa, mas parece que pouco se interessa em saber que as empresas precisam arcar com gastos – que sofreram aumento nos preços. No início do ano, a prefeitura prometeu conceder incentivos fiscais para que não houvesse o aumento. Só promessas!

A prefeitura se prende para não aumentar a tarifa e se tornar mais impopular do que já é e parece não querer reduzir os impostos das empresas... Ora, qual gestor seria louco de arrecadar menos mediante um serviço extremamente rentável que é o transporte público?! A falha é justamente esta: Tanta rentabilidade pode chegar facilmente à falência, devido à (falta de) ação da prefeitura. Se o aumento dos gastos não pode ser refletido em uma tarifa mais alta para o usuário, que seja com incentivos fiscais. Ou então o sistema por um todo vai pelo ralo a baixo e a situação se complicará muito mais!

O PRAE, programa essencial para os deficientes físicos independente de sua usabilidade, foi ofuscado pela politicagem. Mesma politicagem que já faz as empresas começarem a ‘operar no vermelho’. A prefeita não liga, afinal, ela é verde, não é?!

Sem aviso prévio, Prefeitura interrompe programa de acessibilidade especial

21:00 | , ,

Créditos: Diário de Natal

Foto: UNIBUS RN

Os usuários do Programa de Acessibilidade Especial (PRAE), ação da Prefeitura do Natal que objetiva transportar pessoas com dificuldade de locomoção da porta de sua casa até locais de tratamentos e centros de educação, estão sem transporte desde de segunda-feira, 2. Com a interrupção do programa, crianças, jovens, adultos e idosos com problemas de locomoção estão impedidos de frequentar sessões de fisioterapia, escolas e atendimento médico. Na tarde ontem, um grupo de mães e usuários do serviço fizeram um protesto apelando à prefeitura que retome o serviço de transporte imediatamente, uma vez que muitos não têm condições financeiras que permitam a condução dos beneficiados pelo programa.

De acordo com a coordenadora administrativa da Associação de Paralisia Cerebral, Benélia Santos, o serviço foi interrompido sem aviso prévio e prejudicou cerca de 400 pessoas. Considerando a situação crítica em que todos os usuários se encontram, Benélia, em conjunto com mães de favorecidos e também alguns usuários das conduções, entraram em contato com o Ministério Público, Prefeitura e imprensa para tentar encontrar uma solução ao problema.

Negligência: "Já entramos em contato com a Secretária Geral da República e eles nos disseram que, assim que entregássemos um ofício à prefeitura, eles dariam uma advertência pedindo o retorno do serviço e alegando que essa situação (de falta de transporte) é uma negligência grave", disse a coordenadora. Urbileide Varela tem um filho com necessidades de tratamento contínuo e precisa, quase que diariamente, do ônibus para levá-lo à Associação de Orientação aos Deficientes (Adote), para fazer tratamentos de fisioterapia, fonoaudiologia e respiratório.

6 de abril de 2012

Se já estava difícil...

14:01 | , ,

Muito bem, caro leitor... Peço desculpas pela ausência de atualização nos últimos dias, devido a problemas com tempo e internet. Porém, estamos de volta! Boa leitura.

Foto: Valdir Julião (Tribuna do Norte)

Caro leitor. Você ainda acredita que o Estádio Arena das Dunas, palco natalense para os jogos da Copa do Mundo de 2014, ainda sairá?

Eu já não acredito mais. Tudo por conta do mais novo fato envolvendo a construção desta praça esportiva: A greve dos operários que trabalham na obra.

Desde a última terça-feira, centenas de funcionários da construção, principalmente os ligados a área operacional da obra, cruzaram os braços e estão em movimento grevista. Motivos? Melhores salários e condição de trabalho.

Para completar a bagunça, eles fecharam por dois dias seguidos a BR 101, principal acesso a Natal, impedindo milhares de pessoas de ir para seu trabalho, sua aula ou qualquer outro compromisso.

Absurdo! Totalmente sem noção a greve desses operários. Onde já se viu fechar o trânsito de uma importante via para reivindicar seus direitos?

Além disso, temos de levar em conta o já bom salário que eles ganham. Enquanto muitos trabalham bem mais do que eles para ganhar um salário mínimo, os operários dessa obra ganham cerca de R$ 900,00. Ah, e pedem aumento para R$ 1.500!

Ora, essa é a chance da FIFA de tirar Natal da lista de sedes. Se não bastasse o atraso na obra, ainda uma greve para ajudar...

Só queria saber onde tudo isso vai parar. Espero que seja com o fim do sonho. Natal hoje não merece ter os jogos da Copa por aqui.

Demissão de operários paralisa obra da Arena

14:00 | , ,

Créditos: Tribuna do Norte

Foto: Adriano Abreu (Tribuna do Norte)

Os operários da construção civil que trabalham nas obras do estádio Arena das Dunas para a Copa 2014, vão sair em passeata do canteiro central do consórcio OAS-Coesa até à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), na Ribeira, a partir das 8 horas, para tentarem um acordo sobre a recontratação dos 12 trabalhadores que foram demitidos na segunda-feira, dia 2.

As obras estão praticamente paralisadas desde a manhã de ontem, depois que uma grande parte dos 600 operários cruzou os braços contra o que consideram "uma retaliação" da parte do consórcio OAS/Coesa.

O representante da comissão dos trabalhadores, André Rogério de Oliveira, disse que havia o compromisso do consórcio "de não demitir nenhum operário de maneira alguma" até a segunda-feira, dia 16, quando o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Rio Grande do Norte (Sintracon-RN) voltaria a se reunir com as empresas para discutir a questão da produtividade, fruto do acordo feito na última semana de março, quando os trabalhadores conseguiram um abono salarial na folha desse mês.

Os operários do Arena das Dunas ameaçaram pedir demissão coletiva na manhã de hoje, com a entrega das carteiras de trabalho para "dar baixa" em virtude das demissões dos companheiros trabalho, que diziam ser 25.

O gerente de Marketing da OAS-Coesa, Arthur Couto disse que em nenhum momento ocorreu esse acordo de não haver demissões até o dia 16. Ele disse que numa obra "grandiosa" como essa da construção do estádio para a Copa do Mundo,  existe uma "rotatividade" de mão de obra que considera natural e explicou que as demissões foram de ordem "gerencial e administrativa", sem conotação de retaliação alguma, "porque nenhum dos demitidos são membros da comissão de trabalhadores".

Segundo Couto, na verdade foram demitidos um funcionário da área administrativa e 11 da área de produção. Ele também confirmou que foram reduzidos de 6% para 2% o desconto do vale-transporte dos trabalhadores e que a participação nos lucros (PL) proporcional será discutida na reunião previamente acordada em março entre o Sintracon-RN e a SRTE.

Já o diretor Financeiro e coordenador de campo do Sintracon-RN, Luciano Ribeiro da Silva, admitiu que o consórcio OAS-Coesa cumpriu o pagamento do bônus em março, mas desde o dia 1º de abril os salários voltaram aos patamares que eram antes da greve de março. Com o abono, o trabalhador qualificado havia recebido R$ 1.002,00 e voltam a receber R$ 827,00, enquanto os serventes e ajudantes tinham recebido R$ 830,00 e retornam para R$ 670,00.

26 de março de 2012

Perigo real e imediato

17:01 | , ,

Muito bem amigo leitor... Vamos com mais uma atualização. Nesta segunda-feira, falamos da Fórmula 1 e a crise do Felipe Massa, que não passa por um bom momento na equipe Ferrari. Por isso, trazemos hoje a opinião do comentarista Rodrigo Mattar, do canal de TV fechada SporTV, em seu blog no site Globoesporte.com. Boa leitura!

Créditos: Globoesporte.com

Imagem: Globoesporte.com
Era uma vez um piloto que, quando surgiu na Fórmula 1, foi saudado pela imprensa italiana com tapete vermelho, elogios que o levavam às alturas e uma capa de revista que o saudava como “Il nuovo Senna” - O novo Senna.

Uma década depois disso, ou mais, esse mesmo piloto é, hoje, saudado pela mesma imprensa italiana não com tapete vermelho, não com elogios. Muito pelo contrário: os epítetos direcionados não são, digamos, dos mais agradáveis de se ler. “Inútil” foi o menos antipático, mas nem por isso menos grosseiro.

O piloto em questão é o brasileiro Felipe Massa, que chegou ao ponto mais baixo de sua relação com a opinião da imprensa do país da Ferrari, a ponto dos jornalistas daquele país colocarem-no na berlinda, indicando que seu futuro na Fórmula 1 está vinculado a uma inevitável saída da equipe.

Cabe lembrar que Felipe sempre foi bem-tratado pela Ferrari, desde que começou sua carreira na Itália, passando pela Fórmula 3000, seus anos na Sauber e seu trabalho como piloto de testes e depois como titular. Teve a seu lado Michael Schumacher e Kimi Räikkönen. Venceu corridas, mostrava velocidade, garra e por um triz não foi campeão mundial em 2008.

É aí que cabe uma reflexão: será que foi pelos bons tratos que a equipe lhe dispensou que Felipe preferiu não culpar ninguém do staff do time pela perda do caneco naquele ano em que Hamilton o venceu? Ora, falar do episódio de Cingapura é fácil. Duro é admitir o erro cometido na Malásia, os pit stops ruins ao longo da temporada, a quebra de motor na Hungria, o sem-fim de rodadas na Inglaterra e a história da mangueira de reabastecimento em Cingapura.

Tudo culpa da Renault, de Flavio Briatore, Pat Symmonds, Fernando Alonso e de Nelson Ângelo Piquet, não? Ah… e de Timo Glock, claro… como poderia me esquecer dele?

Pois bem:  o regulamento foi mexido e a Ferrari não conseguiu fazer em 2009 um carro à altura da Brawn GP, que dominava a temporada. Massa fazia um campeonato bastante honesto até o acidente com a mola na cabeça em Hungaroring. Aí veio Fernando Alonso para Maranello como sucessor de Kimi Räikkönen. E no ano seguinte, temo dizer que o polêmico episódio da Alemanha mexeu definitivamente com o fator psicológico do piloto brasileiro. Não sei até que ponto os brios de Felipe foram feridos com o “Fernando is faster than you”, mas aquela frase deixou claro que ele não era prioridade na equipe. Alonso carimbava, ali, o passaporte de piloto número 1 da Ferrari.

Apesar de insistir em dizer que continua ‘o mesmo piloto de sempre’, não foi isso que vimos no ano passado. Basta a comparação do que ele fez na pista em corrida e o que fez Alonso. O espanhol foi ao pódio 10 vezes e venceu o GP da Inglaterra. Massa nem chegou perto disso. Foi 5º colocado seis vezes e se a pontuação da Fórmula 1 em 2011 fosse aquela dos velhos tempos, ele teria marcado somente 12 pontos – um a mais do que Didier Pironi somou em 1981, no último ano em que um piloto da equipe vermelha tinha passado uma temporada inteira sem subir ao pódio.

E quando achávamos que haveria uma nesga de reação, 2012 começa ainda pior. O carro da Ferrari, verdade seja dita, é muito ruim. Mas, pombas! Como Alonso consegue 35 pontos, vence em Sepang, é líder do campeonato e Massa se arrasta entre os últimos? Na Austrália, sua volta mais rápida em ritmo de corrida foi 1″663 pior que a do bicampeão do mundo. Ontem, na Malásia, a diferença foi inferior a três décimos. Ok, amenizou um pouco. Mas com pneus intermediários, Alonso fez várias voltas rápidas e a diferença de desempenho entre eles foi absolutamente gritante.

Há alguma coisa de muito errado com Felipe Massa. Se com um carro ruim, Fernando faz 35 pontos e ele nenhum, é hora de uma reflexão mais profunda sobre o futuro do piloto brasileiro dentro da Ferrari.

O que será preciso para que ele recupere um tantinho do que ele conseguia fazer antes do acidente na Hungria – embora muitos insistam que uma mola na cabeça não influencie em nada – para ser minimamente aguerrido, competitivo e até feliz?

Não sinto que hoje Felipe seja ou esteja aguerrido, competitivo e feliz. E para piorar, tem gente que está ligada à Ferrari, cheia de tesão, garra e alegria, batendo à porta de Maranello como que avisando de sua presença e de que ele existe, doido para sentar no carro vermelho e mostrar o que sabe.

Sergio Perez é a sombra de Massa, não tenham dúvidas. E o 2º lugar do mexicano na Malásia representa um perigo real e imediato acerca do futuro do brasileiro na Ferrari – quiçá, até, na própria Fórmula 1.