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13 de abril de 2012

Deuses do Futebol e suas costas largas

21:02 | , , ,

Muito bem, caro leitor... Nesta sexta-feira 13, trazemos um texto que relata a terrível situação vivida pelos flamenguistas ontem, no Rio de Janeiro. Com finais de partida dramáticos, o maior clube do Brasil foi eliminado de maneira surpreendente na Taça Libertadores da América. Por isso, trazemos hoje o comentário do cronista esportivo, do canal de TV a cabo SporTV, Lédio Carmona, em sua coluna no site Globoesporte.com. Boa leitura!

Créditos: Globoesporte.com

As verdades da traumática noite de quinta-feira para os rubro-negros aconteceram durante o jogo contra o Lanus. É fato, sim, cristalino, que o Flamengo jogou muito bem. Também é real a avaliação de que Ronaldinho Gaúcho, pressionado por todos os lados, resolveu sair da inércia e jogar bola – e assim aconteceu. Os rubro-negros tiveram o domínio da partida, diante de um Lanus desinteressado e que, mesmo com a derrota acachapante, terminou em primeiro lugar no grupo. Tudo isso testemunhado. Nada inventado. O aplauso dos torcedores pelo esforço dos jogadores foi justo e comovente.

Foto: Globoesporte.com
As falácias vieram após o apoteótico final da partida entre Olimpia e Emelec, no Defensores del Chaco. O gol de Luis Quinonez classificou os equatorianos e para os rubro-negros funcionou com um castigo encomendado com doses de crueldade por todos erros, negligência, incompetência, soberba e até preguiça que o time demonstrou durante a competição mais importante do primeiro semestre.

Voltamos à falácia. Pôr a culpa da eliminação nos “Deuses do Futebol” só pode ser deboche. Lamentar falta de sorte ou excomungar o azar é primário. Desdenhar do Emelec é dor de cotovelo e sintomas agudo de mau perdedor. Não é só o Flamengo, mas todos os grandes clubes brasileiros que tem a obrigação, sem negociação, de se classificar na fase de grupos da Libertadores. Ficar pelo meio do caminho é vexame. Nossos clubes são mais ricos, tem mais pode econômico, mais dinheiro. Nove em cada 11 jogadores do Emelec querem jogar no Fla. 11 em cada 11 titulares do Flamengo ganham mais do que os classificados equatorianos. Descontado os bem-remunerados brasileiros, Juan Roman Riquelme é o jogador mais bem-remunerado da América do Sul. Ganha 330 mil mensais, quatro vezes menos do que o contra-cheque de Ronaldinho Gaúcho. Por sinal, a maioria dos jogadores ganha menos do que Willians, Você duvida?

Foi uma vergonha que o torcedor rubro-negro não merecia. E ainda teve que aguentar a historinha de que o time fez a sua parte e, de resto, a culpa foi dos Deuses do Futebol. Só pode ser provocação. Ou aquele tal mundo paralelo. Fico com a segunda opção.

Em jogo cheio de emoções, Emelec vence Olimpia no fim e se classifica

21:01 | , , ,

Créditos: Globoesporte.com

Numa partida espetacular, cheia de reviravoltas, o Emelec-EQU conseguiu uma heroica e inesperada classificação para as oitavas de final da Taça Libertadores, ao derrotar o Olimpia-PAR por 3 a 2, nesta quinta-feira, no estádio Defensores del Chaco, em Assunção. O time equatoriano levou o primeiro gol no fim da etapa inicial, marcado por Castorino, conseguiu empatar com Mondaini, virar aos 43 do segundo tempo, com Mena, levar novo empate aos 46, com gol de Zeballos, e alcançar a vitória consagradora, aos 47, em cabeçada de Luis Quiñonez.

Foto: AFP / Globoesporte.com
O Flamengo, que tinha a vaga garantida com o empate em Assunção, só teve a lamentar depois da vitória de 3 a 0 sobre o Lanús-ARG, no Engenhão. O Emelec terminou em segundo lugar no Grupo 2, com nove pontos, um a menos que o time argentino, o líder. Eliminadas, a equipe brasileira terminou em terceiro, com oito pontos, e a paraguaia, em último, com sete.

Paraguaios na frente: O início da partida foi todo do Olimpia. Aos seis, Castorino penetrou na área, caiu e ficou esbravejando pedindo pênalti. O árbitro uruguaio Roberto Silvera mandou o jogo seguir. Um minuto depois, após cobrança de escanteio, Orteman cabeceou no meio da zaga do Emelec e obrigou Dreer a fazer grande defesa, quase em cima da linha do gol.

Após a pressão inicial, o time paraguaio manteve a maior posse de bola, quase sempre no campo adversário, mas sem penetração. A equipe equatoriana, quase toda na defesa, se livrava do perigo com chutões para todos os lados. Aos poucos, foi sentindo que podia se arriscar mais e chegou a ter um gol invalidado, de Valencia, impedido, aos 19. Cutucado, o Olimpia foi à frente e colocou uma bola na trave direita de Dreer, em cabeçada de Marín, aos 21. Mas o jogo já estava equilibrado, com o Emelec mais ousado.

Aos 30, os equatorianos tiveram duas chances na mesma jogada, primeiro com Valencia e em seguida, com Galbor. Cinco minutos depois, Giménez perdeu uma chance incrível de abrir o marcador para os visitantes. Surpreendentemente, nessa altura do jogo, o time equatoriano era melhor.

No entanto, nos contra-ataques o time paraguaio era muito perigoso. Aos 42, por pouco não marca, em chute de Aranda que Dreer defendeu com o pé esquerdo. Três minutos depois veio o gol, em novo contragolpe: Zeballos avançou pelo meio e serviu a Marín, que, livre na área, chutou colocado. Dreer defendeu parcialmente, e no rebote Castorino só teve o trabalho de empurrar a bola para o gol vazio.

Fim de jogo sensacional - três gols em cinco minutos: Em desvantagem, o Emelec continuou atacando na segunda etapa, com o risco de se abrir para os contra-ataques. Aos 12, Bagui quase marcou, mas o árbitro já havia marcado uma falta de ataque. O Olimpia continuava a ameaçar em contragolpes, e aos 15 teve ótima oportunidade, em cabeçada de Castorino, na pequena área. Dreer defendeu bem.

Logo depois, o goleiro Martín Silva reclamou de dor no joelho direito, lesionado num choque com seu companheiro Meza, logo no início da etapa final. Centurión entrou aos 19, e dois minutos depois levou o gol do empate: Valencia cruzou da direita, e Mondaini cabeceou no canto esquerdo do goleiro do Olimpia, que nada pôde fazer. O Emelec se animou e buscou o gol da virada. E aos 25, Centurión salvou o time paraguaio, com duas defesas seguidas - na segunda, a bola ainda explodiu no travessão, em chute de Giménez.

O empate não servia para nenhum dos dois, mas era o time equatoriano que continuava tendo mais presença no ataque. No entanto, arriscava muitos chutes de fora da área e poucas oportunidades claras eram criadas. Aos 41, o Olimpia teve boa chance: Marín bateu falta com muito perigo, a bola tocou na rede pelo lado de fora. Muita gente no estádio gritou gol. Um minuto depois, o Emelec virou a partida: De Jesús rolou para Mena bater forte, marcar e comemorar tirando a camisa.

A classificação surpreendente do time equatoriano parecia encaminhada. Mas havia ainda muita emoção em campo: aos 46, Caballero chutou forte, a bola desviou em Zeballos e entrou no canto esquerdo de Dreer: 2 a 2. A esperança para a torcida do Olimpia voltou, porém foi o Emelec que marcou o terceiro, aos 47: após cobrança de escanteio, Luis Quiñonez subiu mais que a zaga do time paraguaio, fez o gol da classificação e partiu para os abraços, já sem camisa, enlouquecido.

Fla bate o Lanús, flerta com milagre, mas vê Emelec ganhar e levar a vaga

21:00 | , , ,

Créditos: Globoesporte.com

O que parecia sonho distante chegou a ficar perto de se tornar realidade na noite desta quinta-feira. O Flamengo, que precisava vencer seu jogo e torcer por um empate no Paraguai, esteve a poucos minutos de atingir seu objetivo, mas não se classificou às oitavas de final da Taça Libertadores. No Engenhão, o Rubro-Negro bateu o Lanús por 3 a 0, gols de Welinton, Deivid e Luiz Antonio. Ronaldinho Gaúcho teve em alguns momentos uma atuação que fez lembrar sua melhor fase na carreira. Em Assunção, porém, Olimpia e Emelec empatavam por 1 a 1 até os 42 minutos do segundo tempo. Os equatorianos fizeram o segundo gol, levaram o empate, aos 46 (resultado que classificava o Flamengo), mas conseguiram o gol da vitória por 3 a 2 aos 47 e ficaram com a vaga.

Foto: AP / Globoesporte.com
Àquela altura, o jogo do Fla já havia acabado. Os jogadores aguardavam em campo. Léo Moura, com um fone de ouvido, ouvia a transmissão de TV do canal Fox Sports. A tristeza do lateral e dos flamenguistas foi transmitida ao vivo. Love chorou.

Com o resultado, o time carioca terminou sua participação no Grupo 2 na terceira colocação, com oito pontos, dois a menos que o líder Lanús e um a menos que o Emelec. O Olimpia também somou oito pontos, porém perdeu para os rubro-negros no saldo de gols e ficou na lanterna do grupo. O mesmo Olimpia que o Flamengo vencia por 3 a 0 até os 31minutos do segundo tempo, na terceira rodada. Agora, aquele empate se revela impiedoso.

Fla demora, mas engrena: O Flamengo entrou em campo em ritmo lento, e foi o Lanús que comandou as ações nos minutos iniciais. A primeira boa chegada rubro-negra se deu aos nove minutos, quando Ronaldinho deu bom passe para Love no lado esquerdo da área. O atacante bateu para fora, rente à trave direita do goleiro Marchesín.

O Lanús, que uma vez mais atuou sem Camoranesi, machucado (no jogo de ida, na Argentina, o campeão mundial pela Itália também fora vetado) seguiu com domínio territorial, mas acabou por levar o primeiro gol numa jogada de bola parada. Aos 17, Bottinelli bateu escanteio, e Welinton apareceu no segundo pau para escorar de cabeça. Foi o terceiro gol do zagueiro com a camisa do Flamengo, o primeiro no ano.

Sonho possível: Com o gol, o Flamengo se animou e passou a criar mais, porém não deixou de sofrer com contra-ataques. Ronaldinho alternou bons e maus momentos. Tentou algumas jogadas de efeito e acertou umas, errou outras. Após cobrar uma falta na barreira, ouviu a torcida pedir Bottinelli numa segunda oportunidade. R10 cobrou, outra vez na barreira, mas dessa vez a bola sobrou para Love, que quase marcou o segundo.

Na defesa, o Flamengo voltou a dar sustos. Aos 27 do primeiro tempo, o Lanús entrou tabelando na área rubro-negra e a bola chegou a Valeri, que soltou uma bomba. Felipe mandou a escanteio. Na cobrança do tiro de canto, Regueiro apareceu livre na área, mas cabeceou para fora.

Ainda antes do intervalo, o Flamengo conseguiu ampliar sua vantagem. Aos 41, Ronaldinho fez bela jogada pelo meio e deu passe açucarado para Deivid. O atacante recolheu no lado direito da área e bateu rasteiro. A bola desviou levemente na zaga antes de tomar o caminho da rede.

No fim do primeiro tempo no Engenhão, tudo dava certo para o Flamengo. O time vencia por 2 a 0, e Olimpia e Emelec empatavam em Assunção. Entretanto, pouco antes do fim da etapa inicial no Paraguai, o Olimpia abriu o placar.

R10 à moda antiga: No segundo tempo, o Flamengo tinha a missão de conservar sua vitória e torcer para que o Emelec buscasse o empate em Assunção. E o Rubro-Negro só precisou de cinco minutos para conseguir o esperado conforto no placar. Luiz Antonio deu um chapéu antes do meio do campo e iniciou um contra-ataque. A bola chegou a Deivid, que passou até Ronaldinho. O craque então fez lembrar o jogador que encantou o mundo na última década. Deixou dois marcadores para trás com dribles plásticos e cruzou na medida para Luiz Antonio, que pegou de primeira e fez 3 a 0.

Com boa vantagem, o Flamengo viu o Lanús subir de produção. O time argentino, tocando bem a bola, conseguiu se colocar mais à frente e passou a rondar mais a área rubro-negra. Aos 9, Willians, machucado, deu lugar a Muralha.

O centroavante Pavone, um dos principais destaques do Lanús, incomodou o Flamengo com alguns chutes. Num deles, Felipe defendeu. Em outro, a bola saiu por cima do gol.

Jogo louco no Paraguai: Aos 23 minutos, a torcida explodiu no Engenhão. O Emelec empatou o jogo. Era tudo o que o Flamengo precisava. Joel, à beira do campo, comemorou efusivamente.

Daí em diante, o panorama seguiu com o Flamengo tentando tocar a bola e criar chances, e o Lanús mais presente, porém sem muito ímpeto para buscar uma reação. Classificado, o time argentino tentou diminuir a desvantagem, mas não criou grandes chances.

As atenções, de fato, estavam em Assunção. Olimpia e Emelec lutaram em busca da vitória que daria a classificação. Nos minutos finais, o jogo ficou sensacional. Três gols a partir dos 42 minutos. Melhor para o Emelec, que venceu por 3 a 2 e tirou a vaga das mãos do Flamengo com o gol decisivo aos 47 do segundo tempo.

23 de março de 2012

O maior dos maiores se foi

16:16 | , ,

É com muito pesar que fazemos a atualização de hoje no "Fatos e Opiniões". Gostaria de poder adiar mais e mais esse assunto, mas não teve jeito. Nesta sexta, o Brasil se despediu de Chico Anysio.

Foto: Aline Massuca (AE / G1)
O humorista cearense, idolatrado em todo o Brasil pela excelência em seu trabalho, faleceu na tarde desta sexta-feira no Rio de Janeiro, aos 80 anos. Vítima de infecção pulmonar, estava desde dezembro internado.

Dono de personagens cativantes, como o Professor Raimundo, ele criou cerca de 200 personagens, notabilizando seu trabalho no humor como um dos melhores já praticado no Brasil.

Não só eu, mas creio que todo o Brasil ficou triste com essa informação. Um cara que era idolatrado, conhecido nacionalmente e que fazia o país rir com seu trabalho simples, mas criativo.

O humor ficou triste. O Brasil ficou triste. Vai em paz, Chico! Muito obrigado por ter feito o Brasil rir.

Chico Anysio morre aos 80 anos

16:15 | , ,

Créditos: G1

Imagem: TV Globo / G1
Morreu às 14h52 desta sexta-feira (23), aos 80 anos, o humorista Chico Anysio. Ele estava internado no Hospital Samaritano, na Zona Sul do Rio, havia três meses. Ao longo de seus 65 anos de carreira, Chico Anysio criou mais de 200 personagens e foi um dos maiores humoristas do Brasil com destaque no rádio, na TV, no cinema e no teatro (abaixo, nesta reportagem, relembre sua trajetória). Ele deixa oito filhos.

Anysio apresentou uma piora nas funções respiratórias e renal na quarta-feira (21) e voltou a respirar com ajuda de aparelhos durante todo o dia. Ele estava no CTI do hospital carioca desde 22 de dezembro do ano passado por conta de um sangramento. O comediante chegou a ter o problema controlado, mas apresentou uma infecção pulmonar e retornou à internação. Ele seguia em sessões de fisioterapia respiratória e motora diariamente, somadas a antibióticos.

O ator também foi submetido a uma laparotomia exploradora, procedimento cirúrgico que serve para revelar um diagnóstico. Essa cirurgia fez com que Chico Anysio tivesse um segmento de seu intestino delgado retirado.

No final de 2010, ele foi levado ao mesmo hospital com falta de ar. Após uma obstrução da artéria coronariana ser encontrada, passou por uma angioplastia, procedimento para desobstrução de artérias. Após 110 dias, teve alta em março do ano passado.

Com fortes dores nas costas, o humorista foi novamente internado em novembro. Ficou no hospital durante cinco dias, para receber medicação intravenosa devido a problema antigo nas vértebras que provocava dor. No fim de novembro, teve febre e os médicos descobriram uma contaminação por fungos, tratada com antibióticos. No começo de dezembro, retornou ao hospital com infecção urinária e ficou internado por 22 dias. Um dia depois, voltou ao Hospital Samaritano.

Nos momentos mais críticos, quando esteve no hospital entre dezembro de 2010 e março de 2011, Chico necessitou da ajuda de aparelhos para respirar e se comunicava com médicos e familiares por meio de mímica. Durante o período pós-operatório, houve o diagnóstico de um tamponamento cardíaco, que acontece quando o sangue se acumula entre as membranas que envolvem o coração (pericárdio).

Durante o período de internação, que alternou momentos no CTI e em unidades intermediárias, Chico Anysio apresentou quadros de pneumonia e passou por sucessivas broncoscopias. As infecções foram tratadas com uso de antibióticos.

Antes, em agosto de 2010, o humorista precisou ser internado para a retirada de parte do intestino grosso após ser constatado um quadro de hemorragia no aparelho digestivo. Em maio de 2009, outra pneumonia o levou ao hospital.

Rádio e TV: Foi no Rádio Guanabara, ainda nos anos 50, que os seus tipos cômicos começaram a surgir. Até o “talento para imitar vozes”, como o proprio Chico descreveria em seu site, evoluir para a televisão. A estreia aconteceu em 1957, na extinta TV Rio, no programa “Aí vem dona Isaura”. Foi lá que o Professor Raimundo teve sua primeira aparição no vídeo, como o tio da protagonista que vinha do Nordeste — até então o programa só havia sido veiculado pelo rádio.

“Até tinha uma coisa de sentar para criar, mas uns nasceram pela voz, outros pelo tipo, pela personalidade, pela caracterização. Sempre fiz questão de que eles fossem encontrados sem que eu estivesse presente. Que alguém dissesse: "'Na minha terra, tem um Pantaleão. No Rio tem muito Azambuja’”, explicou o humorista ao “Estado de S. Paulo”, em 2009.

Num tempo em que ainda não existiam contratos de exclusividade, Chico pôde fazer participações especiais em programas de outras emissoras e em chanchadas da Atlântida.

O “Chico Anysio Show”, seu primeiro programa de humor, foi lançado no início da década de 60. Foi ao ar pela TV Rio, depois pela Excelsior e em 1982 voltou a ser exibido pela Rede Globo — onde o humorista já trabalhava desde 1969.

Mas foi na Globo que teve seus programas humorísticos de maior sucesso e onde desenvolveu a maioria de seus personagens. Entre as atrações, destaque para “Chico city” (1973-1980), “Chico total” (1981 e 1996) e “Chico Anysio show” (1982-1990).

Alguns desses personagens quase que se misturam à história da televisão brasileira, como o ator canastrão Alberto Roberto, o pão-duro Gastão Franco, o coronel Pantaleão, o pai-de-santo Véio Zuza, o velhinho ranzinza Popó, o alcoólatra Tavares e sua mulher Biscoito (Zezé Macedo) e o revoltado Jovem.

Com o passar dos anos, novos tipos eram criados e incorporados ao programa: o funcionário da TV Globo Bozó, que tentava impressionar as mulheres por conta de sua condição; o mulherengo e bonachão Nazareno, sempre de olho nas serviçais; o político corrupto Justo Veríssimo; e o pai de santo baiano e preguiçoso Painho são alguns dos mais populares.

Apresentada como quadro em outros programas desde a década de 1980, a “Escolinha do Professor Raimundo” tornou-se uma atração independente em 1990. No ar até 2002, o humorístico lançou toda uma geração de comediantes. Entre os “alunos” revelados pelo “professor Chico” estão Claudia Rodrigues, Tom Cavalcante e Claudia Gimenez.

Chico também atuou em novelas e especiais da Globo, como “Pé na jaca” (2007), “Sinhá Moça” (2006), “Guerra e paz” (2008) e “A diarista” (2004). Chico Anysio também teve um quadro fixo no Fantástico por 17 anos (de 1974 a 1991), e supervisionou a criação no programa “Os Trapalhões” no início dos anos 90.

Cinema: A incursão mais recente de Chico Anysio no cinema foi como dublador. É dele a voz do protagonista da animação “Up - Altas aventuras", animação do estúdio Pixar. Antes disso, o humorista fez uma participação especial no recordista de bilheteria “Se eu fosse você 2” (2008), de Daniel Filho. “Nos créditos finais fiz questão de colocar ‘senhor Francisco Anysio’. Ele é um astro, merece ser tratado com toda reverência”, explicou o diretor em entrevista ao G1 durante o lançamento do longa.

Em 1996, o humorista interpretou o personagem Zé Esteves, pai da personagem-título, em “Tieta”, de Cacá Diegues. O trabalho coincidiu com o aniversário de 25 anos da estréia de Chicono cinema, na pornochanchada "O doce esporte do sexo". Antes havia participado de comédias como "Mulheres à vista" e "Cacareco vem aí".

Em 2011, em sua última aparição pública, recebeu o prêmio especial do Júri do Festival do Rio pelo seu desempenho no longa “A hora e a vez de Augusto Matraga”, do diretor Vinícius Coimbra.

"O filme é importantíssimo, a obra é linda. Vinícius realizou algo quase inacreditável. É um filme que, tenho certeza, Sergio Leone assinaria com alegria", destacou o bem humorado Chico, que fez questão de receber o Troféu Redentor pessoalmente, mesmo de cadeira de rodas.

Literatura e artes plásticas: Além de se dedicar ao humor, Chico também foi artista plástico. Apaixonado pela pintura, retratou paisagens ao redor do mundo a partir de fotografias que tirava dos países que visitava. Realizou exposições de seus quadros em diversas galerias do Brasil e chegou a afirmar que gostaria de ter dedicado mais tempo à atividade.

“Porque teria tido mais tempo para aprender, para melhorar. Teria mais tempo para me tornar conhecido e aceito, para vender meus quadros por um preço melhor. Cheguei a admitir que a pintura seria meu emprego da velhice, mas não vai ser, porque ninguém está comprando nada de obra de arte, e pintar para guardar é terrível”, disse em entrevista à “Folha de S. Paulo”, em 2007. Foi autor de 21 livros, tendo publicado vários best-sellers na década de 70, como "O Batizado da vaca", "O telefone amarelo" e "O enterro do anão". Sua última publicação foi “O canalha”, lançada em 2000.

“É a história do cara que participou de todos os governos, desde Eurico Gaspar Dutra até o primeiro mandato de Fernando Henrique. Foi ele o responsável por todas as canalhices que ocorreram de lá para cá, como dar um revólver de presente a Getúlio Vargas”, explicaria o escritor Chico Anysio em entrevista à revista “Época”, no mesmo ano.

Outra de suas obras de destaque na literatura é o bem humorado manual “Como segurar seu casamento”, também de 2000. Na época, advertiu os leitores: “Não dou conselhos, transmito os erros que cometi e foram cometidos em cinco casamentos. Conviver é a arte de conceder. Essa troca de concessões gera a convivência harmônica”, comentou.

Casamentos e filhos: O primeiro de seus casamentos foi aos 22 anos, com a atriz Nancy Wanderley. Depois foi a vez de Rose Rondelli. Sobre a união com a cantora e ex-frenética Regina Chaves, dizia mal se lembrar. Já com Alcione Mazzeo, rompeu a relação por conta de um ensaio nu. Mas foi seu matrimônio com a ex-ministra da Economia do governo Collor, Zélia Cardoso de Mello — com quem teve dois filhos — que provocou mais polêmica. "Passou a ser uma pessoa de meu desagrado total. Fui um biombo para ela”, disse Chico à revista “Isto É”, em outubro de 2000.

Antes, porém, teve seis filhos, entre eles os atores Lug de Paula (famoso por interpretar o Seu Boneco, da “Escolinha do Professor Raimundo”), Nizo Neto (o Seu Ptolomeu, do mesmo programa, também dublador) Bruno Mazzeo (ator e roteirista). Chico também era tio do ator Marcos Palmeira, filho do cineasta Zelito Vianna, irmão do humorista; e da atriz Maria Maya, filha de Cininha de Paula, sobrinha do humorista.

Em novembro de 2009 foi agraciado com a Ordem do Mérito Cultural, a mais alta comenda do governo brasileiro na área. Da vida, dizia levar apenas um arrependimento: “Me arrependo enormemente de ter fumado durante 40 anos”.

19 de março de 2012

O doce fácil da corrupção

13:01 | , ,

Todos sabem que o brasileiro tem um “chama” para ser corrupto. Pode ser na esfera que for na sociedade que sempre encontraremos aqueles que querem levar vantagem, benefícios e/ou dinheiro fácil. Mas, não sabíamos como que alguns dos corruptores agiam.

Mas, o programa “Fantástico”, da TV Globo, resolveu agir e mostrar, na esfera pública, como a picaretagem funciona.

Chega a ser absurda a tentação oferecida por aqueles que querem levar vantagem. Mal chegam na sala e já perguntam quanto de suborno o gestor quer receber. Lamentável!

O pior disso tudo é que o poder público não consegue tirar esse mal pela raiz: se junta a ele, deixando-o agir livremente, sem qualquer poder de reação para tirar aquela empresa do mercado.

Nessas horas, a justiça precisa agir – principalmente, o Ministério Público. Um caso tão escandaloso de corrupção como esse mostrado no “Fantástico” não pode ficar impune. Nosso dinheiro está sendo jogado no lixo!

Vamos torcer para que esses fatos sejam esclarecidos e que sua resolução fique de exemplo para que essa cultura da corrupção seja cada vez mais combatida em nosso país.

Fantástico mostra como é feita fraude em licitações de saúde pública

13:00 | , ,

Créditos: G1

Em uma reportagem especial feita por Eduardo Faustini e André Luiz Azevedo, o Fantástico mostra como funciona um esquema para fraudar licitações de saúde pública, feito entre empresas fornecedoras e funcionários públicos.

Com o conhecimento do diretor e do vice-diretor do hospital pediátrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o repórter Eduardo Faustini fingiu ser o novo gestor de compras da instituição. Todos os outros funcionários acreditavam que ele era mesmo o responsável pelo setor de compras, onde pôde acompanhar livremente todas as negociações e contratações de serviços.

“Todo comprador de hospital, a princípio, é visto como desonesto. Acaba que essa associação do fornecedor desonesto com o comprador desonesto acaba lesando os cofres públicos. E a gente quer mostrar que isso não é assim, em alguns hospitais não é assim que funciona”, disse Edmilson Migowski, diretor do hospital.

As negociações foram todas filmadas de três ângulos diferentes e levadas até o último momento antes da liberação do pagamento. Nenhum negócio foi concretizado, nenhum centavo do dinheiro do contribuinte foi gasto.

O delegado Victor Poubel, titular da delegacia de repressão a crimes financeiros da Polícia Federal do Rio de Janeiro, informou que vai abrir um inquérito para investigar a denúncia do Fantástico. Segundo ele, todas as pessoas que aparecem na reportagem serão intimadas a prestar depoimento e todos os contratos serão investigados.

A fraude: A lei brasileira prevê que toda empresa que vá fazer um serviço para um hospital público dispute uma licitação, com outras que oferecem o mesmo serviço. É uma maneira de tentar garantir que o dinheiro público não vai ser desperdiçado.

No esquema flagrado pelo Fantástico, no entanto, as empresas fornecedoras se unem para fraudar a disputa. A que quer ganhar paga uma porcentagem do total do contrato para as demais -- que entram na concorrência com orçamentos mais altos. Ou seja, entram para perder.

"Eu faço isso direto. Tem concorrência que eu nem sei que estou participando," comenta a gerente de uma empresa chamada para a licitação de contratação de mão de obra para jardinagem, limpeza, vigilância e outros serviços, que ganharia R$ 5.200.000 se a licitação tivesse existido.

Sem nenhuma interferência do hospital, o repórter escolheu quatro empresas, que estão entre os maiores fornecedores do governo federal. Três são investigadas pelo Ministério Público, por diferentes irregularidades. E, mesmo assim, receberam juntas meio bilhão de reais só em contratos feitos com verbas públicas.

Uma locadora de veículos, foi convidada para a licitação de aluguel de quatro ambulâncias. “Cinco. Cinco por cento. Quanto você quer?”, pergunta de imediato o gerente. Falando em um código em que a palavra "camisas" se refere à porcentagem desviada, ele aumenta a propina. “Dez camisa [sic], então? Dez camisa?".

O presidente do conselho da locadora garante que o golpe é seguro e o pagamento é realizado em dinheiro ou até mesmo em caixas de uísque e vinho. A empresa ganharia R$ 1.680 milhão pelo contrato. "Eu vou colocar o meu custo, você vai falar assim: ‘Bota tantos por cento’. A margem, hoje em dia, fica entre 15% e 20%", explicam o diretor e o gerente de uma empresa convidada para a licitação de coleta de lixo hospitalar. "Nós temos hoje, aproximadamente, três mil clientes nessa área de coleta", afirmam.

Para esconder a fraude da fiscalização, o dinheiro do suborno é espalhado por vários itens da proposta vencedora. O dono da empresa de jardinagem e vigilância diz à reportagem que está acostumado a fraudar licitações, e a gerente comenta que o fraude é "ética de mercado". "No mercado, a gente vive nisso. Eu falo contigo que eu trago as pessoas corretas. Eu não quero vigarista, não quero nunca".

9 de março de 2012

Sinal de tempos melhores no futebol brasileiro?

17:01 | , ,

Foto: AP / BBC Brasil
Foram 23 anos. Tivemos avanços, é verdade. Mas, foi um tempo tenebroso no futebol brasileiro e que está se acabando após um anúncio muito esperado pelos amantes do esporte mais famoso do mundo: a saída de Ricardo Teixeira da CBF.

Este homem, para os brasileiros, é um sinônimo de corrupção. Com vários escândalos nas costas, e processos judiciais em várias partes do mundo contra si, Teixeira alegou motivos de saúde para se licenciar do cargo.

Já estava mesmo na hora de a entidade máxima do futebol nacional ter uma mudança significativa. Apesar dos avanços e conquistas que ele esteve a frente, nosso futebol não precisa mais dele.

Não precisa por vários fatores: submissão aos horários e calendário da Globo, que deixa em condições sub-humanas os jogadores que precisam atuar o ano inteiro e só possuem 20 dias de férias, jogos sem nenhum atrativo da Seleção, falta da melhoria das categorias de base do nosso futebol e, principalmente, os vários escândalos de corrupção onde a Confederação Brasileira de Futebol está envolvida.

Assim, coloco mais uma vez o título desse texto: será que esse é um sinal de tempos melhores no futebol brasileiro?

Provavelmente, ainda não. Quem vai assumir o cargo é José Maria Marin, vice-presidente da entidade (aquele mesmo que roubou medalhas na final da Copa São Paulo 2012), que, segundo a imprensa especializada, também não seria flor que se cheire.

O que é preciso na CBF é uma renovação de fato. Novas pessoas, investimentos novos, fortificação da seleção, mudança no calendário brasileiro e muitas outras coisas são precisas para retomarmos o título de melhor futebol do mundo – que não conquistamos a toa.

Melhorias no futebol brasileiro sempre serão bem vindas. Se forem rápidas, melhor ainda.

Ricardo Teixeira se licencia da presidência da CBF

17:00 | , ,

Créditos: BBC Brasil

Foto: AFP / BBC Brasil
O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, comunicou nesta quinta-feira a presidentes de federações estaduais que tirará uma licença temporária do cargo, que ocupa há 23 anos.

Francisco Noveletto, presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), disse à BBC Brasil que Teixeira tirou a licença por problemas médicos e vai se tratar nos Estados Unidos, onde tem casa e sua família já o espera. A CBF, contudo, não confirmou a informação nem disse se a licença se estende à presidência do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014 (COL), também ocupado por Teixeira.

Segundo Noveletto, a presidência da CBF será assumida pelo vice-presidente mais velho da CBF, José Maria Marin.

Rumores sobre uma possível renúncia de Teixeira, que também é membro do Comitê Executivo da Fifa (federação que rege o futebol mundial), se disseminaram nas últimas semanas, quando ele vendeu propriedades no Brasil e demitiu funcionários de confiança na CBF, como o seu tio Marco Antônio Teixeira, que ocupava a secretaria-geral da entidade.

Os rumores ganharam força com a publicação de reportagens que apontavam ligações de Teixeira com a empresa Ailanto, investigada por superfaturamento no amistoso entre Brasil e Portugal, em 2008. O jogo custou R$ 8,5 milhões aos cofres públicos. O presidente da CBF nega irregularidades.

Pelo regulamento da entidade, a licença pode durar até 60 dias. Teixeira já recorreu à medida anteriormente.

Títulos e denúncias: A gestão de Teixeira foi marcada por dois títulos brasileiros em Mundiais (em 1994 e em 2002) e pela conquista pelo Brasil do direito de sediar a Copa de 2014. No entanto, também foi marcada por uma série de denúncias.

Após a Copa de 1994, Teixeira foi acusado de pressionar um funcionário do aeroporto no Rio de Janeiro a liberar cerca de 17 toneladas de bagagens da seleção brasileira, no episódio que ficou conhecido como o “voo da muamba”. A carga continha eletrodomésticos trazidos por jogadores e dirigentes esportivos.

O caso fez com que, em 2009, o presidente da CBF fosse condenado, em primeira instância, a ter suspensos seus direitos políticos, além de ficar impedido de assinar contratos com o poder público ou receber benefícios fiscais, ainda que por intermédio de pessoa jurídica, por três anos.

Um ano antes, em 2008, Teixeira foi denunciado pelo Ministério Público Federal por suposto crime de lavagem de dinheiro, por receber US$ 600 mil de conta da empresa Sanud na Suíça. As remessas, em 1996 e 1997, foram descobertas pela CPI do Futebol, em 2001. A verba foi investida na RLJ Participações, empresa de Teixeira.

Apesar das denúncias, ele conseguiu se reeleger no comando da CBF em 2003 e em 2007. E com a escolha do Brasil para sede do Mundial de 2014, seu mandato foi estendido até 2015.

Propinas: Desde 2010, porém, as denúncias contra ele se intensificaram. Uma reportagem do programa de televisão Panorama, da BBC, revelou que a Fifa estava impedindo a divulgação de um documento que revelaria a identidade de dois dirigentes da Fifa que foram forçados a devolver dinheiro de propinas em um acordo para encerrar uma investigação criminal na Suíça, em 2010.

Segundo o programa, um dos dirigentes era Teixeira e o outro, seu sogro e ex-presidente da Fifa, João Havelange.

O acordo encerrou uma investigação sobre propinas pagas a altos dirigentes da Fifa na década de 1990 por uma empresa de marketing esportivo, a ISL (International Sports and Leisure).

Até sua falência em 2001, a ISL comercializava os direitos de televisão e os anúncios publicitários da Copa do Mundo para anunciantes e patrocinadores.

Em 27 de dezembro de 2011, a Justiça suíça ordenou que a Fifa abrisse em até 30 dias os documentos do caso ISL, o que, no entanto, ainda não ocorreu. Também em 2011, a Polícia Federal brasileira abriu investigação sobre a denúncia.

Embora Teixeira, 64 anos, venha de fato enfrentando problemas de saúde, especula-se que a possibilidade de que os documentos do caso ISL revelem que ele recebeu propina tenha sido uma das causas para sua licença.

Há outras possíveis razões por trás da decisão: Teixeira estaria descontente com o assédio que sua filha mais nova tem sofrido por causa das denúncias contra o pai e, além disso, estaria insatisfeito com o tratamento que tem recebido da presidente Dilma Rousseff na organização da Copa de 2014.

24 de fevereiro de 2012

Fim de festa

11:31 | , , ,

Foto: Rafael Oliveira (G1)
Enfim, acabou o carnaval. Tempo de festa, alegria e descanso para muitos de nós brasileiros. Para quem vai a São Paulo ou ao Rio de Janeiro, é a chance de ver os grandiosos desfiles das escolas de samba – que fazem com que o nosso carnaval seja conhecido no mundo inteiro.

Porém, o fim do carnaval, pelo menos para os paulistanos, foi um exemplo de como não se deve comemorar a folia de momo.

Muito tumulto, incêndio, agressões e destruição de notas do julgamento do desfile mancharam o belíssimo carnaval de São Paulo. Um imbecil, que se diz integrante de uma escola de samba, invadiu a área restrita a leitura das notas e rasgou algumas, provocando toda essa confusão.

Foi algo lastimável. Isso é coisa de quem não sabe perder e/ou quem não teve competência para organizar o melhor desfile. Para organizar tamanha baderna, alguma agremiação devia ter algum tipo de interesse.

Isso, sem dúvidas caro leitor, manchou a imagem do carnaval brasileiro. Toda essa confusão por causa de notas chega a ser bizarra. Se não sabem perder, fica quieto e pronto.

Mas, mesmo com toda essa confusão, há de se registrar o título merecido da Mocidade Alegre. A homenagem feita ao escritor Jorge Amado foi muito bonita e fez por merecer a melhor avaliação dos jurados.

Espero que tal bagunça sirva de lição para quem organiza o carnaval de São Paulo rever suas políticas organizacionais. Uma das principais imagens da cidade não pode ser manchada dessa maneira sem uma punição exemplar.

No mais, ode a folia de momo! E que 2013 venha aí com mais um bom carnaval!

Após confusão, Mocidade Alegre é campeã do carnaval de São Paulo

11:30 | , , ,

Créditos: G1

Foto: Tiago Queiroz (AE / G1)
A Mocidade Alegre foi eleita nesta terça-feira (21) a vencedora do carnaval paulistano. O anúncio do título foi feito à noite pela Liga Independente das Escolas de Samba, horas depois da confusão que marcou e ofuscou o final da apuração no sambódromo do Anhembi, na Zona Norte.

Este foi o oitavo título da escola do Bairro do Limão, na Zona Norte, campeã em 1971, 1972, 1973, 1980, 2004, 2007 e 2009. A vitória desse ano tem gosto de superação: atingida no dia 9 de janeiro por um incêndio no barracão da escola, que fica sob o Viaduto Pompeia, na Zona Oeste de São Paulo, a Mocidade teve que correr para reconstruir alguns carros a tempo.

Com 3.500 componentes e 25 alas, a Mocidade comemorou o centenário do escritor Jorge Amado homenageando o candomblé, a capoeira e as festas populares que integram o universo do livro “Tenda dos Milagres”, romance publicado em 1969. A passagem da escola pela avenida durou 60 minutos, cinco a menos que o prazo máximo permitido para cada agremiação.

O samba "Ojuobá, no céu os olhos do rei...na terra a morada dos milagres...no coração um obá muito amado" foi puxado pelo intérprete Clóvis Pê, que ocupa a posição pelo quinto ano consecutivo.

A comissão de frente da Mocidade, coreografada por André de Almeida, representou os obás, guerreiros que chamavam Xangô para libertar o povo negro oprimido. Dois carnavalescos assinaram o desfile: Sidnei França e Márcio Gonçalves.

Invasão e depredação interrompem apuração do carnaval de SP

11:30 | , , ,

Créditos: G1

Um grande tumulto interrompeu a apuração do carnaval de São Paulo nesta terça-feira (21). Houve quebra-quebra, carros alegóricos foram incendiados e pelo menos cinco pessoas acabaram detidas.

A confusão começou quando um representante da escola Império de Casa Verde invadiu o local onde eram lidas as notas, no sambódromo do Anhembi, e rasgou os envelopes durante a divulgação dos pontos do último quesito. Naquele momento, a Mocidade Alegre liderava, seguida por Rosas de Ouro, Vai-Vai, Mancha Verde e Unidos de Vila Maria.

A apuração teve de ser interrompida. Torcedores na arquibancada começaram a jogar objetos na área dos organizadores até que conseguiram derrubar as grades e invadir o espaço restrito.

Houve quebra-quebra. Os torcedores chegaram a atear fogo a carros alegóricos que estavam na área da dispersão, no Anhembi. Pelo menos duas alegorias da Pérola Negra foram completamente destruídas no incêndio.

Parte dos torcedores saiu do sambódromo e interditou a pista local da Marginal Tiête. Placas que separavam a Marginal do sambódromo foram depredadas e arrancadas pelo grupo.

Acompanhados pela Polícia Militar, um grupo da Gaviões da Fiel seguiu a pé pela Marginal Tietê para a quadra da escola, localizada a cerca de dois quilômetros do Anhembi. Até o início da confusão, a escola não vinha registrando notas boas na apuração.

Prisões: O representante da Império de Casa Verde que rasgou as cédulas com as notas foi detido pela Polícia Militar pouco depois do tumulto. Outro integrante da Gaviões da Fiel também foi preso. Além deles, outras três pessoas acabaram detidas pelo tumulto ou porte de entorpecentes.

Segundo o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, da Deatur, os detidos após confusão no Sambódromo serão autuados em flagrante no posto montado no Anhembi.

No começo da noite, homens da Polícia Técnico Científica faziam perícia no local do sambódromo onde eram lidas as notas das escolas de samba.

Resultado: Por causa do tumulto, não foi divulgado qual será o resultado do carnaval paulista. No momento da confusão, a Mocidade Alegre liderava a apuração. Os jurados liam as notas do último quesito, "comissão de frente", quando a apuração foi interrompida.

A ordem da apuração era: 1º Mocidade Alegre, 2º Rosas de Ouro, 3º Vai-Vai, 4º Mancha Verde e Unidos de Vila Maria.

O presidente da Liga das Escolas de Samba, Paulo Sérgio Ferreira, afirmou que não há possibilidade de anulação das notas. Eles vão fazer um levantamento das notas e, se não forem recuperadas as que faltavam, vencerá quem estava em primeiro lugar no momento em que a apuração foi interrompida.

Ferreira afirmou que "tem escola que não sabe perder". "O jogo é jogado, a regra é clara. A escola vem na avenida, canta o samba errado e depois quer tirar o julgador de samba-enredo. Vamos ver se tem possibilidade de levantar as duas notas que faltam, se não tiver, vai se manter o resultado que se mantém até agora", disse.

No início da noite, as notas da Comissão de Frente - quesito que era divulgado no momento da confusão - foram encontradas em um banheiro químico do Anhembi por um diretor da Liga das Escolas de Samba de São Paulo.

Mau comportamento: O regulamento da Liga das Escolas de Samba afirma que qualquer membro ou dirigente com comportamento inadequado, seja na concentração, na dispersão, no desfile ou na apuração do carnaval, terá sua escola eliminada do concurso e será expulsa da Liga. Na hora da contagem dos votos, os integrantes das escolas não podem pressionar, ameaçar ou agredir a integridade física ou moral de nenhuma pessoa da Liga.

17 de fevereiro de 2012

Punição pequena, mas justa

12:05 | , ,

Amigo leitor, aproveitamos a oportunidade para lhes desejar um excelente carnaval. E, como não poderia deixar de ser, vamos entrar em recesso na folia de momo. Nossa próxima postagem será na sexta-feira, dia 24. Bom carnaval!

Mais um julgamento histórico aconteceu no Brasil nessa semana. Acusado por 12 crimes, dentre eles o assassinato da jovem Eloá Pimentel, na região metropolitana de São Paulo, Lindemberg Alves, que os cometeu em 2008, foi condenado ontem a 98 anos de prisão.

Apesar de o crime merecer uma pena mais severa, a decisão da juíza Milena Dias foi de bom tamanho e correspondeu ao que a opinião pública pedia. O maior cárcere privado da história de nosso país não podia ter seu desfecho abrandado nos tribunais.

Porém, o que pega nesse caso é o código penal. Apesar de ter sido condenado a 98 anos de cadeia, o máximo que ele vai ficar são 30 – no caso, 27, pois já cumpriu três anos. Creio que esse é o momento para se alterar o código que rege as penas para os crimes no Brasil. Obsoleto e impune são alguns dos adjetivos que se podem usar em relação a essas regras antigas e ultrapassadas.

Espero que, com esse julgamento, a sensação de impunidade no Brasil comece a se dissipar. Um de nossos maiores males precisa ser extinto com atitudes enérgicas e práticas de nossos governantes. E, como não poderia deixar de ser, boa cadeia para você, Lindemberg.

Lindemberg é condenado a pena de 98 anos e dez meses pela morte de Eloá e mais 11 crimes

12:04 | , ,

Créditos: Uol

Lindemberg Alves, 25, foi condenado nesta quinta-feira (16) pela morte de sua ex-namorada Eloá Pimentel, 15, após quatro dias de julgamento no fórum de Santo André (ABC paulista). A jovem foi feita refém por cerca de cem horas em outubro de 2008 em seu apartamento, localizado em um conjunto habitacional na periferia do município paulista. O crime considerado é o de homicídio doloso duplamente qualificado. A advogada de defesa, Ana Lúcia Assad, já afirmou que pediu a nulidade absoluta do julgamento.

Imagem: Uol
O réu também foi condenado por mais 11 crimes: duas tentativas de homicídio (contra a amiga de Eloá, Nayara Rodrigues, e contra o sargento Atos Valeriano, que participou das negociações), cinco cárceres privados (de Eloá, e três amigos:  Iago Oliveira e Victor Campos, e duas vezes por Nayara, que foi liberada e retornou ao cativeiro) e disparos de arma de fogo (foram feitos quatro).

A pena proferida pela juíza Milena Dias foi de 98 anos e dez meses de reclusão, em regime inicialmente fechado --ele não poderá recorrer em liberdade. O réu, entretanto, não pode ficar preso por mais de 30 anos, de acordo com a lei brasileira. Lindemberg ouviu a sentença de cabeça baixa. Além da prisão, foi decretada uma multa de 1.320 dias.

A ação começou no dia 13 de outubro de 2008. Junto com Eloá, foram feitos reféns os amigos dela que estavam reunidos para fazer um trabalho de escola: Iago Oliveira e Victor Campos foram liberados no primeiro dia de cárcere; e Nayara Rodrigues foi liberada no segundo dia, mas retornou ao cativeiro.

A ação terminou no quinto dia, quando policiais militares do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais), que negociavam a liberação das reféns, invadiram o apartamento, afirmando ter ouvido um estampido do local. Em seguida, foram ouvidos mais tiros: dois deles atingiram Eloá, um na cabeça e outro na virilha, e outro atingiu o nariz de Nayara. Eloá morreu horas depois; Nayara foi levada para o hospital e sobreviveu. Lindemberg, sem ferimentos, está preso desde então.

O júri começou na última segunda-feira (13) e ouviu ao todo 13 testemunhas nos quatro dias de julgamento, entre familiares da vítima, os amigos que foram feitos reféns e policiais que participaram da ação.

Sentença: Ao ler sua sentença, a juíza Milena Dias disse que o réu agiu com frieza e de forma premeditada, "com orgulho e egoísmo", citando que os crimes foram uma "barbárie" e causaram "angústia dos familiares". "Lindemberg teve uma bárbara e cruel intenção criminosa", alegou. "O réu agiu com frieza, premeditadamente, em razão de orgulho e egoísmo, [e por considerar que] Eloá não poderia terminar o relacionamento amoroso."

A magistrada também afirmou que Lindemberg causou transtornos a sociedade, além de causar grande comoção na população. "Ele teve uma conduta que extrapola o dolo normal", afirmou.

"Durante a barbárie, o réu deu-se ao trabalho de dar entrevista para emissoras, demonstrando seu comportamento audacioso e frieza assustadores. O réu chegou a pendurar uma camiseta de time de futebol na janela da residência invadida", completou. Ao fim da leitura da pena, a promotora do caso pediu que o réu responda ainda por porte ilegal de arma.

A juíza disse ainda que encaminhou ao Ministério Público uma denúncia contra a advogada de Lindemberg, Ana Lúcia Assad, por ela supostamente ter cometido um crime contra a honra ao afirmar, durante o júri, que a magistrada precisava voltar a estudar.

10 de fevereiro de 2012

Uma fatalidade no rival

13:01 | , ,

Imagem: Bol
Creio eu, caro leitor, que você deva saber que sou torcedor fanático do Flamengo, ao qual considero o melhor time de todos. Pois bem, mas, na situação que escrevo este texto, toda a rivalidade deve ser deixada de lado para lamentarmos uma dura perda.

Nessa semana, o Vasco viveu uma situação péssima: a morte súbita em mais uma atividade de futebol. O agravante é que a vítima foi um garoto de 14 anos.

Infelizmente, temos de lamentar mais uma perda no futebol. Quem sabe esse garoto não se transformasse em mais uma promessa... Nesse momento de dor e saudade, o “Fatos e Opiniões” deixa aqui a solidariedade e a homenagem ao garoto que faleceu.

Mas, essa morte reacende a polêmica em torno da saúde de quem pratica futebol. Cada vez mais vemos casos de jogadores que morrem de maneira súbita por conta de problemas ocultos ou não.

Há de se cobrar mais eficiência e melhoria dos departamentos médicos dos clubes. A saúde, antes de qualquer coisa, tem de ser prioridade na avaliação dos jogadores. Um jogador saudável tem mais chances de dar alegrias a sua torcida.

Porém, não basta um clube ter o melhor e mais equipado departamento médico, se um jogador não se cuida. Dieta constante, abstenção de fumo e álcool, por exemplo, já são pontos que melhoram a saúde de um atleta. Todos fazendo a sua parte ajudam no espetáculo.

Que esse caso sirva de exemplo para que, cada vez mais, o bem estar e uma boa saúde tenham prioridade no futebol e em qualquer esporte brasileiro. Chega de tantas mortes no futebol.

Garoto do sub-15 do Vasco sofre convulsão e morre durante treino no CT da base

13:00 | , ,

Créditos: Uol

Imagem: Uol
O jovem Wendel Junior Venâncio da Silva, de 14 anos, passou mal e morreu na manhã desta quinta-feira durante um treino no centro das categorias de base do Vasco em Itaguaí, município a 70 km do Rio de Janeiro.

O garoto teve complicações após sofrer uma convulsão em campo. De acordo com o hospital UPA, de Itaguaí, o jovem já chegou morto ao local por volta de 11h e nem houve tempo para receber atendimento médico. Em seguida, ele foi encaminhado ao Instituto Médico Legal de Campo Grande, também no estado do Rio de Janeiro.

O corpo chegou ao IML às 15h40 desta quinta-feira e, desde então, passa por uma perícia. As causas da morte ainda não foram descobertas e só serão averiguadas durante o exame.

Os médicos do Vasco deixaram o lugar no fim da tarde e se dirigiram para São Januário, no Rio de Janeiro, para estudar o caso antes de se pronunciarem.

O gerente da base vascaína Humberto Rocha confirmou o incidente, mas não soube dar maiores detalhes sobre o caso. “Eu estava trabalhando normalmente e recebi essa informação, sim. Estou me encaminhando para Itaguaí para resolver o caso e ver o que é verdade. Infelizmente, não tenho mais detalhes por enquanto”, afirmou ao UOL Esporte.

A reportagem apurou que o centro de treinamento não tinha nenhuma ambulância à disposição nem médicos para cuidar de incidentes durante a sessão física.

Após o incidente trágico, o treinamento da tarde foi cancelado. O menino veio de Minas Gerais e estava em período de testes no time sub-15 do clube carioca.

30 de janeiro de 2012

Tristeza regada a entulho

09:02 | , ,

Foto: Bernardo Tabak (G1)
Uma noite de quarta-feira como outra qualquer na zona comercial do Rio de Janeiro. Tudo tranqüilo, com poucas pessoas na rua e... Três edifícios desabam simultaneamente, matando cerca de 20 pessoas.

Antes de qualquer crítica ou outra coisa que queira se falar, temos de lamentar bastante o acidente. Nunca poderíamos imaginar que algo desse tipo aconteceria em qualquer lugar. Mesmo sendo no Rio de Janeiro, talvez um acidente semelhante aqui em Natal teria a mesma repercussão.

Porém, o grande destaque desse triste fato é a engenharia. De acordo com portais de notícias, obras não autorizadas mexeram na estrutura de um dos prédios, sobrecarregando as velhas paredes e colunas (O prédio mais antigo é da década de 1940). Grande irresponsabilidade.

Tão absurdo quanto foi o flagra veiculado na TV de agentes da prefeitura vasculhando entulho para poder ficar com alguma coisa dos escritórios comerciais atingidos. Não respeitam nem a dor dos que perderam seu instrumento de trabalho, nem daqueles que perderam a vida.

Agora, nesse momento de dor, temos de prestar toda a solidariedade possível para aqueles que perderam algo nessa tragédia. E que esse acidente sirva de lição para que aqueles que vão trabalhar com engenharia não tenham problemas como esse.

'Vi o prédio tombando para a direita, para cima dos outros dois', diz vizinha

09:01 | , ,

Créditos: G1

Foto: Bernardo Tabak (G1)
A radialista aposentada Julieta Duarte Loureiro mora há 38 anos no Edifício Itu, no nº 47 da Avenida Treze de Maio. Da varanda do apartamento conjugado dela, de decoração simples, no 18º andar, tem uma visão privilegiada do Centro histórico da cidade do Rio de Janeiro, e do local onde o Edifício Liberdade, de nº 44, e outros dois prédios desabaram na noite de quarta-feira (25). Até o domingo (29), 17 corpos haviam sido encontrados. Outras cinco pessoas estão desaparecidas, segundo a Defesa Civil estadual.

No sábado (28), quando completou 69 anos de vida, com bom humor, apesar do ocorrido, ela contou ao G1 o que viu e ouviu no momento da tragédia.

“Na noite do desabamento, desci para a portaria porque estava muito calor. Fiquei na entrada do prédio, sentada, conversando com uma amiga chamada Lorena. Fiquei de papo, trocando ideia”, recorda. “Desci por volta das 19h15 e o prédio desabou tipo 20h40. Primeiro caiu um pedregulho bem grande, que só escutei bater no chão. Logo em seguida caiu um menor. Quando caiu a pedra pequena, olhei para cima e vi o prédio tombando para a direita, para cima dos outros dois”, complementa.

Julieta conta que, no mesmo instante, saiu correndo com Lorena e outras duas amigas para uma rua mais afastada do local do desmoronamento. “Peguei minha bolsa e gritei: ‘O prédio está caindo!’ Sem enxergar nada, fui correndo para a Rua Senador Dantas”, lembra a aposentada. “Tinha gente andando na rua, umas 50 pessoas, mas logo que caiu o primeiro pedregulho, o pessoal correu. Se fosse sexta-feira seria muito pior, porque as pessoas descem para tomar cerveja e bater papo”, acrescenta.

Sem explosão, nem cheiro de gás: A aposentada afirma não ter escutado qualquer explosão. “O barulho não foi grande. Só fez um ‘trec’, como se estivesse quebrando uma tábua no joelho, e veio caindo. Não teve nada de explosão como foi na Praça Tiradentes. Foi só barulho de cimento se partindo”, conta ela, relembrando o acidente ocorrido em outubro de 2011, quando um vazamento de gás gerou a explosão de um restaurante no Centro do Rio. “Também não tinha nenhum cheiro de gás. Quando caiu, teve aquele corre-corre danado, pessoas chorando”, recorda.

A aposentada conta que, logo após o desabamento, não conseguiu ver como ficou o local onde estavam os prédios, porque bombeiros cercaram e isolaram logo a área.

'Separação dos prédios há 30 anos': A radialista não se lembra de ouvir recentemente reclamações sobre a conservação do Edifício Liberdade ou comentários sobre problemas na estrutura. Entretanto, Julieta recorda de um episódio ocorrido há três décadas. “Quando estavam fazendo obras do metrô, na Estação Carioca, há uns 30 anos, houve uma separação dos prédios. O Edifício Liberdade chegou um pouco para o lado e ficou um pequeno vão para a parede do Edifício Capital, que fica na esquina das avenidas Treze de Maio com Almirante Barros”, conta ela.

“Colocaram um cimento para juntar os prédios de novo. Na época, veio Defesa Civil, televisão, rádio”, lembra.

Julieta conta ainda que, na noite do desabamento dos prédios, só por volta das 3h15 da madrugada voltou para casa, com autorização da Defesa Civil e do síndico do prédio.

"E só de manhã fui ver o que tinha acontecido, da minha janela. Foi uma tristeza total ao saber que debaixo dos entulhos tinha tantas pessoas”, conta ela, com o semblante fechado. “Tinha o catador Moisés, de 50 anos. Ele pegava papelão nas lojas e juntava em frente a uma agência bancária que tinha no térreo do edifício. Ele e o banco ficaram debaixo dos escombros”, explica Julieta.

Dois prédios e um sobrado caem no Centro do Rio

09:00 | , ,

Créditos: G1

Foto: Pablo Jacob (Agência O Globo / G1)
Dois prédios e um sobrado desabaram por volta de 20h30 da quarta-feira (25) na região da Avenida Treze de Maio, no Centro do Rio de Janeiro, bem atrás do Theatro Municipal, segundo informações do Centro de Operações da Prefeitura. Cinco feridos foram levados ao Hospital Souza Aguiar até 0h desta quinta-feira (26), também no Centro da cidade. Quatro permaneciam internados nesta manhã.

No início da madrugada, parentes reunidos na porta do hospital procuravam desaparecidos que estariam nos prédios. Mais tarde, representantes de quinze famílias foram levados a uma sala de apoio na Câmara de Vereadores do Rio, onde aguardavam notícias dos trabalhos de resgate. Ao menos 19 pessoas eram procuradas, de acordo com a prefeitura.

Em entrevista no fim da noite de quarta, o prefeito Eduardo Paes confirmou que, além de um prédio de dez andares e outro de 20 andares, um sobrado, que ficava entre as duas construções, acabou atingido pelos destroços.

Mais cedo, numa entrevista anterior, o prefeito havia comentado sobre as possíveis causas do desmoronamento. "Aparentemente não foi uma explosão, o desabamento aconteceu por um dano estrutural no prédio. Acredito que não tenha sido vazamento de gás", disse o prefeito, que anunciou também a abertura de um posto de informações em frente à agencia da Caixa Econômica Federal, na esquina das avenidas Chile e Rio Branco.

De acordo com a empresária Zilene Bernardino, que trabalha no local, o prédio de dez andares fica na Rua Manuel de Carvalho, esquina com a Avenida Treze de Maio, e o outro na própria Treze de Maio.

Menos de uma hora depois dos desabamentos, a Defesa Civil Estadual informou que a tragédia deixou 11 vítimas, sem detalhar mortos e feridos.

Cinco dos feridos receberam atendimento no Hospital Souza Aguiar: quatro homens (dois de 37 anos, um de 31 e um de 50 anos) e uma mulher de 28 anos. O quadro mais grave é o da mulher, que teve lesão no couro cabeludo e passou por cirurgia.

Um zelador e um operário, que estava dentro de um elevador, estão entre os feridos retirados com vida dos escombros. As informações são do coronel Sérgio Simões, secretário estadual de Defesa Civil. Ainda de acordo com o coronel, as buscas se concentram em dois pontos sinalizados com a ajuda de cães farejadores.

Uma moradora de um prédio vizinho relatou que três andares de um dos prédios passavam por reforma. "De repente, ouvimos um grande barulho e começou a voar tudo", contou a argentina Devora Galavardo, que mora há seis meses em frente ao prédio que desabou.

Amigos e parentes cercam o local em busca de informações sobre pessoas que trabalham na região, enquanto a Guarda Municipal impede a aproximação, pelo temor de dano estrutural às construções vizinhas.

De acordo com a assessoria do Corpo de Bombeiros, há 60 homens da corporação no local do desabamento atuando no trabalho de socorro. Há bombeiros dos quartéis da Barra da Tijuca, de São Cristóvão e do Centro. Há 14 viaturas entre ambulâncias, caminhões de água e de escada magirus. O prefeito Eduardo Paes está no local.

Devido ao desabamento, segue interditado nesta quinta-feira (26) o perímetro que inclui a Rua Evaristo da Veiga; a Almirante Barroso, entre Rio Branco e Senador Dantas; o acesso à Avenida Rio Branco pela Avenida Presidente Vargas e ainda a Avenida República do Chile.

A Light desligou a luz nos arredores para evitar incêndios. Vinte viaturas da polícia foram acionadas para isolar a área.

Em nota oficial, o Theatro Municipal informou que o desabamento do edifício da Avenida Treze de Maio não causou prejuízos ao prédio, nem danos estruturais. A única parte atingida por escombros foi a bilheteria, no prédio anexo. Nenhum funcionário foi atingido.

20 de janeiro de 2012

Banalização, crime ou marketing?

12:01 | , , ,

Não me recordo de ter visto tamanha polêmica sobre um programa de TV como a que surgiu no último final de semana. O programa “Big Brother Brasil”, da TV Globo, foi palco de um suposto abuso sexual entre participantes após uma festa promovida pela produção da atração.

Logo após críticas e protestos nas redes sociais informando do possível delito, a polícia entrou no caso e a direção do programa se viu às voltas com um dilema: ou retirava o programa do ar ou eliminava o participante suspeito – a segunda opção foi a adotada pela emissora.

Tal caso expõe o baixo nível que se encontra, atualmente, a programação da televisão brasileira. Muita futilidade, apologias, bebida, sexo... Muita coisa prejudicial ao brasileiro é mostrada hoje na TV – até mesmo por quem poderia pregar o fim dessas coisas na TV.

Mas, temos de levar em conta também que realmente pode ter havido crime naquele edredom. Isso pode agravar mais ainda a situação da Globo, uma vez que mostrou um crime ao vivo pela TV a cabo e não fez nada para impedir. Resultaria em apologia ao crime e a emissora sofreria diversas sanções (até mesmo a suspensão das operações).

Porém, outra hipótese pode ser levantada. De acordo com o IBOPE, esta edição do Reality Show onde aconteceu tal polêmica tem, atualmente, baixos índices de audiência – já chegaram a ser os piores da edição, com 10 anos recém-completados. Será que isso não pode ser uma jogada de marketing para todo mundo (inclusive este blog) estar falando dessa produção?

Não importa o motivo pelo qual está se dando tanta atenção a esse caso. O que importa é que tal polêmica tem de ser logo resolvida para que a programação da TV brasileira tenha uma boa lição para a melhoria do nível da programação. Assistir televisão aberta, no Brasil, atualmente, é uma tortura.