28 de novembro de 2011

Uma temporada previsível e sem graça

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Muito bem, caro leitor... Neste fim de semana, no Brasil, terminou a temporada 2011 da Fórmula 1. Uma temporada que trouxe muitas novidades, mas sem maiores emoções. Por isso, hoje, reprisaremos o texto publicado em 10 de outubro passado, quando o piloto Sebastian Vettel conquistou o segundo título mundial. Boa leitura!

A tecnologia, as últimas temporadas e os pilotos faziam com que a Fórmula 1, em 2011, tivesse uma enorme chance de ser um campeonato disputado, cheio de ultrapassagens e emoção a cada corrida. Porém, o ítem principal, que era o primeiro citado, não aconteceu.

Foto: Reuters / Globoesporte.com
Não há o que se discutir quanto ao talento de Sebastian Vettel e o excepcional carro da RBR. O cara pilota muito bem e deram um excelente veículo para ele. Um garoto prodígio que tem um grande futuro pela frente.

Porém, com tamanho domínio, a emoção prometida para o campeonato não correspondeu as expectativas. Infelizmente, a temporada 2011 foi sem graça e previsível, fazendo com que as corridas não tivessem tamanhas novidades.

De toda forma, as últimas corridas devem ter as várias ultrapassagens e muita emoção, apesar de não ter mais nada em disputa. No mais, esperamos que, em 2012, a temporada seja bem melhor do que essa, prevalecendo o equilíbrio e a emoção até a última prova.

Sem chuva, Webber vence no Brasil, e Button, em 3º, leva o vice-campeonato

19:01 | , , ,

Créditos: Globoesporte.com

Foto: Reuters / Globoesporte.com
Quando as gotas tímidas caíram no asfalto em Interlagos, era Nelson Piquet que estava na pista, levantando as arquibancadas a bordo da Brabham do seu primeiro título. Com os concorrentes de verdade na disputa, as nuvens ficaram só na ameaça. Todos os olhos ficaram grudados na meteorologia, os relâmpagos chegaram a enganar, mas o GP do Brasil foi seco do início ao fim. Seco também estava Jenson Button para assegurar seu vice-campeonato, e assim foi feito. O inglês se contentou com o terceiro degrau do pódio na última prova do ano, dominada por mais uma dobradinha da RBR. A novidade é que, desta vez, o campeão Sebastian Vettel foi o segundo colocado, e Mark Webber garantiu sua primeira vitória na temporada, após uma polêmica manobra que levantou suspeitas de jogo de equipe.

Agressivo no início da corrida, o espanhol Fernando Alonso perdeu a terceira posição nas últimas voltas, terminando em quarto, e seu companheiro Felipe Massa não conseguiu a terceira vitória da carreira em casa. O brasileiro cruzou em quinto e fechou o campeonato sem pódios. Aliás, o país não sentiu o gosto da champanhe nenhuma vez em 2011, feito que não acontecia desde 1998.

Rubens Barrichello, da Williams, perdeu oito posições na largada e foi o 14º. Bruno Senna, da Renault-Lotus, chegou a protagonizar uma disputa com Michael Schumacher na nona posição, mas foi punido e acabou em 17º.

Na 30ª volta, alegando problemas de câmbio, Vettel abriu caminho para Webber, que àquela altura ainda tinha chances de ser vice-campeão. O alemão, que chegou a ficar dois segundos mais lento que o companheiro na polêmica ultrapassagem, recuperou seu desempenho logo em seguida, despertando até um comentário irônico da Ferrari no Twitter, chamando a ultrapassagem de "interessante".

Largada sem incidentes: Na largada, a chuva estava a quatro quilômetros de Interlagos, e no máximo tinha mandado uns pingos para o autódromo durante a apresentação de Nelson Piquet, que voltou a pilotar sua Brabham do primeiro título.

Com alguns assentos vazios nas arquibancadas, principalmente na reta oposta, a corrida começou com as RBRs de Vettel e Webber mantendo as duas primeiras posições. Agressivo, Alonso ganhou a quarta posição de Hamilton e só precisou de 11 voltas para deixar Button para trás. Massa, que saiu em sétimo, superou a Mercedes de Nico Rosberg, mas não teve fôlego para se infiltrar no pelotão da frente. Pior sorte teve Barrichello, que deslizou de 12º para 20º.

A primeira grande disputa na pista foi entre Bruno Senna e Michael Schumacher. O brasileiro defendeu a nona posição jogando o carro para a direita. Seu bico atingiu o pneu do alemão, que furou. Schumi perdeu posições e Bruno continuou, mas foi punido pela direção da prova e acabou obrigado a fazer uma passagem extra pelos boxes.

Com as paradas dos rivais, Massa se manteve na pista e chegou a experimentar o sabor da liderança por alguns instantes. Mas antes de mesmo de ir aos boxes foi ultrapassado por Vettel, que já tinha parado.

A partir da 15ª volta, o alemão da RBR começou a acusar problemas de câmbio. A equipe mandou que ele reduzisse as rotações do motor nas trocas de marcha, e com isso Webber se aproximou rapidamente. O australino assumiu a liderança na 30ª passagem, quando esteve dois segundos mais rápido que o companheiro de time. E aí a suspeita se levantou. A Ferrari ironizou a ultrapassagem no Twitter, dando a entender que era uma manobra interna para Webber manter as chances de ser vice-campeão. Tanto que, logo na sequência, Vettel recuperou seu desempenho e passou a andar apenas um centésimo atrás do companheiro.

Na 37ª volta, praticamente metade da corrida, o primeiro relâmpago forte da tarde. Começou a chover em várias regiões de São Paulo, mas a pista em Interlagos se mantinha seca. Àquela altura, Webber liderava, seguido por Vettel, Alonso, Button e Massa, que ganhou a posição de Hamilton – o inglês, com problemas no câmbio, abandonou pouco depois.

A chuva, preguiçosa, não chegou até o autódromo. E tanta preocupação com a meteorologia foi em vão. Tranquilo mesmo estava Webber, que cruzou em primeiro. Button ainda deu o bote em Alonso para garantir o pódio e comemorou seu vice-campeonato.

25 de novembro de 2011

O que já era de se esperar

17:11 | , ,

E, conforme já se imaginava, foi desmascarado um esquema fraudulento para as operações do Consórcio Inspar para a absurda inspeção veicular que deviam começar no início deste ano. Com uma excelente atuação do Ministério Público, vários foram presos e a sociedade descobre os detalhes de mais um escândalo de corrupção. Por isso, amigo leitor, trago a opinião do jornalista Diógenes Dantas sobre alguns dos envolvidos - tal texto foi publicado em seu blog, hospedado no portal Nominuto.com. Boa leitura!

Créditos: Nominuto.com

Foto: Marco Carvalho (Tribuna do Norte)
Entre os políticos de peso que foram alcançados na Operação Sinal Fechado, quem levou a pior ontem foram João Faustino e o ex-governador Iberê Ferreira.

O tucano foi preso logo nas primeiras horas da operação e levado para o quartel da Polícia Militar com mais nove envolvidos no esquema denunciado pelo Ministério Público Estadual.

E Iberê Ferreira emergiu logo como eminência "eminência parda" por trás de George Olímpio, empresário que comandou toda a organização criminosa em favor da Inspar, consórcio formado para explorar a inspeção veicular no Rio Grande do Norte, segundo os promotores.

Além de eminência parda, Iberê Ferreira teria recebido um milhão de reais de propina e participação em ações no consórcio criado.

Mas a peça do Ministério Público é clara quando cita Wilma de Faria, ex-governadora do Estado. Não só ela. Mais uma vez o filho, advogado Lauro Maia, se vê envolvido nas denúncias de fraudes.

Segundo o empresário José Gilmar de Carvalho, o "Gilmar da Montana", um dos presos ouvido ontem pelo Ministério Público, o ex-governador Iberê Ferreira de Souza foi beneficiado com recebimento de propina de R$ 1 milhão e promessa de 15% dos lucros da G. O. Empreendimentos, empresa de George Olímpio.

A mesma cota de participação foi prometida à ex-governadora Wilma de Faria, e o Ministério Público Estadual trabalha para confirmar semelhante promessa ao suplente de senador João Faustino.

Ou seja, Wilma de Faria está comprometida nesta história do mesmo jeitinho de Iberê Ferreira e de João Faustino, conforme as suspeitas dos promotores.

Mas Wilma ficou caladinha ontem. Não se manifestou sobre o caso. Ela deixou a batata quente nas mãos de Iberê Ferreira.

A explicação do MP sobre os holofotes em cima de Iberê é que as promessas feitas à ex-governadora Wilma de Faria datam de três anos atrás, o que não motivou pedido de busca e apreensão em sua residência. O MP entendeu que não haveria mais provas substanciais dado o tempo transcorrido.

Já as benesses prometidas ao ex-governador Iberê Ferreira de Souza não só são mais recentes como há indícios de sua existência.

Iberê Ferreira, que não é menino, divulgou nota à imprensa para lembrar que o convênio foi firmado em 2008, dois anos antes da posse dele como Governador do Estado, numa clara referência ao período de Wilma como governadora.

Ou seja, se houve problema foi durante o governo de Wilma e não no dele.

Essa história ainda vai render. Ou feder, tanto faz. A inspeção veicular no Rio Grande do Norte sempre esteve sob suspeita por causa dos números milionários envolvidos na operação e de decisões, no mínimo, questionáveis.

O último Plano de Inspeção Veicular foi elaborado em 2008 pela empresa contratada e "ainda" não havia sido executada, ficando para o novo governo pagar o contrato e executá-lo.

O problema é que na última gestão, anterior ao governo atual, o Governo do Estado, transferiu por meio de decreto a responsabilidade e a competência da elaboração do plano ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran), que por sua vez, contratou a empresa Inspar para elaboração o plano.

A mudança foi mal vista pelos gestores ambientais já que a decisão deveria ter sido submetida ao Conselho Estadual de Meio Ambiente (Conema), que é presidido pelo secretário de Meio Ambiente do Estado. Deu no que deu.

Prisões, propinas e fraudes no Detran

17:11 | , ,

Créditos: Tribuna do Norte

Foto: Aldair Dantas (Tribuna do Norte)
A Operação Sinal Fechado, deflagrada ontem pelo Ministério Público Estadual, resultou na prisão de 12 pessoas, apreensão de centenas de documentos, dezenas de computadores e no sequestro judicial de bens dos envolvidos estimado em R$ 35 milhões. As investigações não se resumiram ao processo licitatório para a implementação da inspeção veicular do qual o Consórcio Inspar saiu vitorioso e cujo processo foi cancelado pelo Governo do Estado em fevereiro passado. As análises dos promotores identificaram que o processo fraudulento no Departamento Estadual de Trânsito (Detran/RN) remetia ao ano de 2008 e se dividia na cobrança de taxas pelo Instituto de Registradores de Títulos e Documentos de Pessoas Jurídicas (IRTDPJ/RN) e pela Central de Registro de Contratos (CRC).

O Instituto, que funcionava como cartório, foi extinto em 2010 após algumas demandas judiciais e, inclusive, uma Ação Civil Pública (ACP) impetrada pelo Ministério Público Estadual que cobrava o cumprimento de uma lei federal sancionada em dezembro de 2008 que proibia o pagamento da taxa em cartório. Os valores cobrados pelo Instituto variavam entre R$ 130 e R$ 800. Em contrapartida, o então diretor do Detran/RN, Carlos Theodorico de Carvalho Bezerra, através da Portaria nº 2.222/2010, criou o CRC, que deveria realizar o serviço de registro dos contratos de financiamento de veículos, os quais não mais necessitariam ser registrados em cartório.

De acordo com a petição assinada por seis promotores de Defesa do Patrimônio Público, "ao longo da investigação ministerial, descortinou-se um esquema mais amplo e mais antigo instalado na referida autarquia estadual, tendo sido identificados pelos menos três grandes fraudes, levadas a efeito através da constituição de autêntica organização criminosa constituída para a prática de delitos no âmbito do Detran/RN". De acordo com os promotores, os objetivos criminosos foram alcançados através de pagamento de vantagem indevida - propina - a servidores públicos, promessa de vantagens indevidas, fraude à licitações, tráfico de influência, além da utilização de instrumentos de intimidação e chantagem a atuais ocupantes de cargos públicos no Estado do Rio Grande do Norte.

De acordo com o Procurador-Geral de Justiça, Manoel Onofre Neto, o intuito primordial da Operação era desmanchar a quadrilha que atuava no estado extorquindo a população. "A fraude tinha tentáculos em outras unidades da federação. Com a Operação Sinal Fechado, combatemos a corrupção instalada de maneira evidente no Detran/RN", destacou Onofre Neto. O processo de investigação durou nove meses e começou após uma série de reportagens da TRIBUNA DO NORTE relatando as supostas irregularidades no processo licitatório da inspeção veicular.

O promotor de Defesa do Patrimônio Público, Eudo Rodrigues Leite, afirmou que a Justiça aprovou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos envolvidos no processo fraudulento. "Interrogamos dois presos na tarde de hoje (ontem) e eles confirmaram a participação dos ex-governadores Wilma de Faria e Iberê Ferreira de Souza no processo de corrupção". Eudo afirmou, ainda, que José Gilmar de Carvalho Lopes (Gilmar da Montana), detalhou durante o depoimento, que tanto Wilma de Faria quanto Iberê Ferreira, receberiam 15% dos lucros futuros da empresa GO Desenvolvimento de Negócios. O suplente de senador João Faustino e o próprio Gilmar, receberiam 10% cada.

Questionado porque o Ministério Público não solicitou à Justiça a prisão dos ex-governadores Wilma de Faria e Iberê Ferreira de Souza, Eudo disse que não foram obtidas provas do recebimento de propinas. "Não tínhamos requisitos técnicos que embasassem o pedido de prisão preventiva ou temporária. Dificilmente, se encontrariam provas contra a ex-governadora Wilma de Faria. A fraude no Detran começou em 2008", destacou Eudo Rodrigues Leite.

Inspar teria pago R$ 35 milhões em propinas e tentado corromper atual gestão, diz MP

17:11 | , ,

Créditos: Tribuna do Norte

O Consórcio Inspar teria pago cerca de R$ 35 milhões em propinas a políticos e empresários para poder atuar na inspeção veicular no Rio Grande do Norte nos próximos 20 anos - o que renderia um montade de aproximandamente R$ 1 bilhão nesse período. Os R$ 35 milhões são exatamente o mesmo valor em bens que o Ministério Público requereu que fosse sequestrado dos envolvidos no suposto esquema fraudulento.

De acordo com a petição do MP, o montade a ser sequestrado servirão para reparar "os danos às vítimas lesadas, que, como já referido, foram os milhares de cidadãos potiguares que pagaram taxas indevidas em razão do convênio com o IRTDPJ/RN, e o erário estadual, em razão dos contratos viciados com a PLANET BUSINESS LTDA e com o cONSÓRCIO inspar".

Esse suposto esquema fraudulento resultou na operação Sinal Fechado, deflagrada na manhã desta quinta-feira (24).