5 de setembro de 2011

Marco regulatório vs. liberdade da imprensa

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Muito bem, caro leitor... Hoje, vamos de assunto polêmico no "Fatos e Opiniões": o marco-regulatório da mídia. Algo muito debatido nas faculdades de comunicação e por especialistas no setor - e o que os políticos nem querem saber de ouvir [por serem donos de boa parte dos meios de comunicação].

Para refletir sobre esse tema delicado, trago hoje um excelente texto publicado no site da revista "Carta Capital", de autoria do professor Venício Lima, em 11/11/2010. Boa leitura!


Imagem: Portal Bahia Todo Dia
Em entrevista concedida ao Jornal da Band, no último dia 2/11, a presidente eleita Dilma Rousseff tentou esclarecer, pela undécima vez, uma diferença que a grande mídia e seus aliados têm ignorado e, arriscaria a dizer, deliberadamente confundido: marco regulatório da mídia não tem nada a ver com qualquer restrição à liberdade da imprensa.

Diante da inescapável pauta sobre as “ameaças à democracia e à liberdade de expressão e de imprensa” que o país estaria enfrentando, o apresentador, Fábio Pannunzio, pergunta:

Apresentador – Esse é um assunto que, apesar de a senhora ter falado mil vezes disso, ainda não ficou claro o suficiente para que as pessoas possam entender. Então, vou insistir na pergunta. A senhora disse no seu discurso de anteontem [31/10] que prefere o barulho de uma imprensa livre ao silêncio das ditaduras, não é? A senhora estava se referindo a isso que se atribuí ao PT, que há uma tentativa de controlar a liberdade de imprensa no Brasil? (…)

Presidente eleita – Veja bem, você tem de distinguir duas coisas: marco regulatório de um controle do conteúdo na mídia. O controle social da mídia, se for de conteúdo, ele é um absurdo! É, de fato, um acinte à liberdade de imprensa, com esse acinte eu não compactuo. Jamais compactuarei.

Apresentador – A senhora vetaria se chegasse à sua mesa?

Presidente eleita – Se chegar na minha mesa qualquer tentativa de coibir a imprensa, no que se refere a divulgação de ideias, posições, propostas, opiniões, enfim, tudo que for conteúdo, eu acho que é isso que eu falei mesmo, o barulho da imprensa , seja que crítica for, ele é construtivo. Mesmo quando você discorda dele. Agora, isso não é um milhão de vezes, é infinitas vezes melhor que o silêncio das ditaduras. Isso é uma coisa.

Outra coisa diferente é a questão do marco regulatório. Porque o marco regulatório é outra questão. Vou tentar explicar, com alguns exemplos.

Apresentador – Para que a gente consiga entender, exatamente, a questão.

Presidente eleita – Com exemplos. Por exemplo: a participação do capital estrangeiro. Você tem todo o país regulamenta a participação do capital estrangeiro nas suas diferentes mídias. Outra questão, que é importantíssima, é o fato de que o mundo está mudando em uma velocidade enorme. Então, você vai ter de regular, de alguma forma, a interação entre as mídias, porque, hoje, quem faz isso não pode fazer aquilo, que não pode fazer aquele outro. O problema do cabo, o problema do sinal aberto, como é que junta tudo isso com internet; mesmo assim eu acho que a gente tem de ter muito cuidado.

Você tem de fazer um marco regulatório que permita que haja adaptações ao longo do tempo. Por quê? Porque, eu não sei se você lembra, em 80, nos anos 80, 90, a telefonia fixa era uma potência. Cada vez mais, com a base da internet, você tem a possibilidade, em cima da internet, de ter TV, telefonia, celular, enfim. O mundo está mudando, então até isso você vai ter de considerar. Você não pode ter, também, um marco regulatório que desconheça a existência da banda larga. E se você vai poder, ou não vai poder, fazer televisão, em que condições você vai fazer televisão.

Isso o Brasil vai ter de regular minimamente, até porque tem casos que, se você não fizer isso, você deixa que haja uma concorrência meio desproporcional entre diferentes organismos.

Apresentador – Ok, muito obrigado pela resposta.

[Curiosamente essa parte da entrevista não consta do vídeo disponibilizado no site do Jornal da Band]

Confusão deliberada: Um marco regulatório se refere à regulação do mercado de mídia e à garantia de direitos humanos fundamentais. A regulação é necessária para impedir a propriedade cruzada e a concentração do controle nas mãos de umas poucas famílias e oligarquias políticas; garantir competição, pluralidade e diversidade. Para impedir a continuidade do “coronelismo eletrônico”; garantir o direito de resposta, inclusive o direito difuso, e o direito de antena. Em particular, marco regulatório se refere à radiodifusão (como se sabe, mas é sempre bom relembrar, uma concessão pública) e às novas tecnologias (internet, banda larga, telefonia móvel etc.).

Como diz a célebre frase do juiz Byron White da Suprema Corte dos Estados Unidos, “é o direito dos telespectadores e ouvintes, não o direito dos controladores da radiodifusão, que é soberano”.

É disso que se trata.

Pergunto ao eventual leitor(a) se ele acredita que em democracias como os Estados Unidos, a Inglaterra, a França, a Alemanha, Portugal, Espanha – para citar apenas alguns –, a liberdade da imprensa vive sob permanente ameaça? A comparação faz sentido no atual contexto brasileiro porque esses são países onde existe, há décadas, marco regulatório para o campo das comunicações, vale dizer, regulação da mídia.

A legislação ignorada: No Brasil, tanto a lei quanto a Constituição são cristalinas sobre a necessidade de fiscalização e regulação das concessões de radiodifusão.

Ademais, os avanços tecnológicos das últimas décadas, que têm como marco a revolução digital e provocaram a chamada “convergência de mídias” pela diluição das fronteiras entre as telecomunicações e a radiodifusão, tornaram inevitável a regulação do setor.

Mais uma vez: é disso que se trata.

O Código Brasileiro de Telecomunicações (Lei nº 4.117, de 27 de agosto de 1962) prevê no seu artigo 10:

Art. 10. Compete privativamente à União:

II – fiscalizar os Serviços de telecomunicações por ela concedidos, autorizados ou permitidos.


Além disso, o código admite a punição para o caso de abusos de concessionários. Está escrito na lei:

Art. 52. A liberdade de radiodifusão não exclui a punição dos que praticarem abusos no seu exercício.

Art. 53. Constitui abuso, no exercício de liberdade da radiodifusão, o emprêgo dêsse meio de comunicação para a prática de crime ou contravenção previstos na legislação em vigor no País, inclusive:
(Redação dada pelo Decreto-Lei nº 236, de 1968)


Alguns exemplos de abusos citados na Lei:

e) promover campanha discriminatória de classe, côr, raça ou religião; (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 236, de 1968)

(…)

g) comprometer as relações internacionais do País; (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 236, de 1968)


Por outro lado, o Decreto n. 52.795 de 1963, que regulamenta os serviços de radiodifusão, antecipa normas e princípios que seriam, mais tarde, incorporados à Constituição de 1988. Está lá:

Art. 28 – As concessionárias e permissionárias de serviços de radiodifusão, além de outros que o Governo julgue convenientes aos interesses nacionais, estão sujeitas aos seguintes preceitos e obrigações: (Redação dada pelo Decreto nº 88067, de 26.1.1983)

11- subordinar os programas de informação, divertimento, propaganda e publicidade às finalidades educativas e culturais inerentes à radiodifusão;

12 – na organização da programação:

a) manter um elevado sentido moral e cívico, não permitindo a transmissão de espetáculos, trechos musicais cantados, quadros, anedotas ou palavras contrárias à moral familiar e aos bons costumes;

b) não transmitir programas que atentem contra o sentimento público, expondo pessoas a situações que, de alguma forma, redundem em constrangimento, ainda que seu objetivo seja jornalístico;

c) destinar um mínimo de 5% (cinco por cento) do horário de sua programação diária à transmissão de serviço noticioso;

d) limitar ao máximo de 25% (vinte e cinco por cento) do horário da sua programação diária o tempo destinado à publicidade comercial;

e) reservar 5 (cinco) horas semanais para a transmissão de programas educacionais.


Por fim, a Constituição de 1988, prevê, especificamente, leis federais para a regulação de diferentes aspectos das comunicações, assim como a instalação de um Conselho para auxiliar o Congresso Nacional em qualquer assunto relativo ao capítulo “Da Comunicação Social”.

Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.

(…)

§ 3º – Compete à lei federal:

I – regular as diversões e espetáculos públicos, cabendo ao Poder Público informar sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem, locais e horários em que sua apresentação se mostre inadequada;

II – estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.

§ 4º – A propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos, medicamentos e terapias estará sujeita a restrições legais, nos termos do inciso II do parágrafo anterior, e conterá, sempre que necessário, advertência sobre os malefícios decorrentes de seu uso.

§ 5º – Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.

(…)

Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:

I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;

II – promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;

III – regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;

IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

Art. 222. (…)

§ 3º Os meios de comunicação social eletrônica, independentemente da tecnologia utilizada para a prestação do serviço, deverão observar os princípios enunciados no art. 221, na forma de lei específica, que também garantirá a prioridade de profissionais brasileiros na execução de produções nacionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 36, de 2002)

(…)

Art. 223. Compete ao Poder Executivo outorgar e renovar concessão, permissão e autorização para o serviço de radiodifusão sonora e de sons e imagens, observado o princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal.

(…)

Art. 224. Para os efeitos do disposto neste capítulo, o Congresso Nacional instituirá, como seu órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da lei.


Direito à comunicação: Como disse a presidente eleita, há que se distinguir “marco regulatório de um controle do conteúdo na mídia”. Quem os confunde está, de fato, querendo evitar a regulação do mercado e a perda de privilégios históricos.

Insisto: regular a mídia é ampliar a liberdade de expressão, a liberdade da imprensa, a pluralidade e a diversidade. Regular a mídia é garantir mais – e não menos – democracia. É caminhar no sentido do pleno reconhecimento do direito à comunicação como um direito fundamental da cidadania.

É disso que se trata.

Marco para mídia é pauta do governo, dizem ministros

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Um dia depois de o ex-presidente Lula atacar a imprensa na abertura do 4º Congresso do PT, dois ministros afirmaram ontem que a regulamentação dos meios de comunicação está na pauta do governo Dilma e saíram em defesa da proposta.

O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), um dos principais interlocutores de Dilma, afirmou que a "o marco regulatório é bom para o país e para a imprensa séria".

Carvalho criticou o tratamento dado pela imprensa ao tema. Segundo ele, "falar em censura é oportunismo".

Ele afirmou que o governo encampará a proposta em elaboração no Ministério das Comunicações.

A Folha apurou que a ideia é acionar o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para impedir que um mesmo grupo atue em diferentes plataformas, como rádio, TV e jornal, num mesmo mercado.

A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) afirmou que o país precisa de uma lei que imponha "limites e direitos" ao setor de comunicações. Ela afirmou, porém, que a presidente Dilma é "terminantemente contra" a censura à imprensa.

"Todos nós [petistas] temos convicção de que a liberdade de imprensa deve ser mantida a qualquer preço e a qualquer custo no país", afirmou a articuladora política.

"Jornalismo marrom": Ontem, o PT aprovou o texto-base da resolução política de seu congresso, que faz ataques à mídia e prevê o lançamento de candidaturas próprias à prefeitura das principais capitais em 2012.

"Como partido que busca alianças para suas vitórias, o PT poderá também apoiar candidaturas de outros partidos governistas."

O trecho da resolução sobre a imprensa diz que "o jornalismo marrom de certos veículos" deve ser "responsabilizado toda vez que falsear os fatos ou distorcer as informações para caluniar, injuriar ou difamar".

PT anuncia 'campanha forte' para se aprovar marco regulatório da mídia

12:15 | , ,

Créditos: G1

Foto: Wilson Dias (Agência Brasil / Revista Exame)
O presidente do PT, o deputado estadual Rui Falcão (SP), afirmou que os delegados do partido aprovaram neste domingo (4), último dia do 4º Congresso Nacional da legenda, em Brasília, uma "campanha forte" no Parlamento para que seja votado o marco regulatório das comunicações, com o estabelecimento de regras para a mídia.

O marco regulatório é um projeto elaborado no governo Luiz Inácio Lula da Silva, pelo ex-ministro Franklin Martins, mas que está sendo revisado pelo atual ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

De acordo com Falcão, o objetivo é garantir "liberdade de imprensa, direito à opinião, nenhum tipo de censura de conteúdo, mas que democratize a comunicação no país, [..] que se possa regulamentar os artigos da Constituição que falam sobre a propriedade cruzada de meios [de comunicação]. Enfim, houve unanimidade em torno dessa bandeira".

A expressão "propriedade cruzada" é usada para definir a posse por grupos de mídia de mais  um tipo de meio de comunicação - rádio, TV ou jornal. A proposta do PT é limitar a propriedade cruzada, mas o partido afirma não querer interferir no conteúdo dos veículos de comunicação.

De acordo com Falcão, o partido defende também o veto à propriedade de empresas de comunicações por parlamentares. O texto do marco regulatório prevê que a proibição a parlamentares valerá a partir da aprovação da proposta, ou seja, não terá caráter retroativo. "Ninguém vai cancelar a propriedade deles. É daqui para a frente", afirmou Falcão.

"Imagino que, quando estiver concluído, o projeto [do marco regulatório] irá para o Congresso Nacional. O partido entende que é necessário ter esse marco regulatório e imagino que o governo vá mandar o projeto para o Congresso", disse o presidente do PT.

Ele rejeitou a tese de que o marco regulatório represente "controle social" da mídia. "Queremos que haja regulamentação do artigo que trata da propriedade cruzada de meios, mais espaço para os veículos comunitários, que não haja censura na internet", afirmou o presidente petista.

Moção: Os delegados do congresso petista aprovaram neste domingo uma moção específica sobre o setor das comunicações. Proposto pela corrente Movimento PT e assinado pelo dirigente Valter Pomar, o documento faz um histórico das posições do PT sobre o tema.

Distribuído neste domingo no congresso, o texto cita a proposta apresentada pelo partido em 2009 sobre o marco regulatório, quando o PT defendeu "criação de instrumentos de controle público e social", tese rejeitada em 2010 e neste ano.

Na moção deste ano, o partido defende o fortalecimento do papel regulador do Estado no setor de telecomunicações; a consolidação de um sistema público de rádio e televisão; a elaboração das políticas de comunicações por meio da criação de conselhos de comunicação em todos os estados da federação e no Distrito Federal; e o "fortalecimento" do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional.

2 de setembro de 2011

Você já caiu num buraco hoje? Prepare-se

10:59 | , ,

Pois bem, caro leitor. Infelizmente, os motoristas que trafegam por Natal se vêem rodeados por uma situação absurda: a quantidade de buracos nas vias e a ineficiência do poder público na conservação e manutenção das ruas. Uma calamidade na nossa cidade.

Por isso, hoje o "Fatos e Opiniões" reprisa o post de 06 de junho, que fala dos inúmeros buracos na capital potiguar. A autoria é do jornalista Diógenes Dantas, da Sim TV e do portal Nominuto.com. O texto abaixo foi postado no dia 03/06, em seu blog no portal jornalístico.


Foto: Dinarte Assunção (Nominuto.com)
Trafegar pelas ruas e avenidas de Natal está cada dia mais complicado. A perícia ou o cuidado dos motoristas não importa mais. O que vale mesmo é ter sorte.

Você já caiu num buraco hoje? Não? Prepare-se. O perigo mora ao lado, mais adiante, fica depois da próxima esquina, depois do primeiro sinal, passando o cruzamento das duas avenidas, diante do hospital, pertinho da escola, no centro, na periferia, enfim, por toda cidade.

É buraco que não acaba mais! Buracos de todos os tamanhos e de todos os gastos. As oficinas estão lotadas de carros para consertar pneus, trocar amortecedores, fazer alinhamentos e balanceamentos. Cambagem. Os prejuízos são consideráveis e provocam "buracos" em qualquer orçamento doméstico.

O período chuvoso agrava o quadro, mas não pode servir de desculpa para tudo. Natal está esburacada há tempos, necessitando urgentemente de recuperação da malha viária.

Grosso modo, os buracos da cidade devem ser atribuídos aos seguintes fatores: às fortes chuvas dos últimos meses ; aos serviços de órgãos ou empresas públicas como a CAERN; e à falta de manutenção adequada sob a responsabilidade da Prefeitura de Natal.

Aliás, a Prefeitura de Natal e a CAERN não se entendem. Ficam no jogo de empurra. Esse buraco é da CAERN! Esse buraco é da prefeitura! Quem tem que tapar é ele! Quem tem que tapar é ela!

Alguns moradores têm levado na esportiva. E passaram nominar os buracos. Hoje de manhã, eu passei por um deles batizado como "Buraco da Micarla", localizado por trás da Escola Floriano Cavalcanti (Floca), na via principal que corta o bairro de Mirassol. Há muito mais!

Tem gente que coloca bandeirinha. Tem gente que coloca bonecos, tipo judas de sábado de aleluia. Vale tudo para chamar atenção dos gestores públicos para os buracos nossos de cada dia.

A população anda fotografando os buracos e registrando-os em blogues e sites. Alguns empresários do setor de transporte coletivo também se juntaram ao esforço de localizar e mapear a buraqueira. E a sua contribuição, caro leitor, é bem-vinda!

A Semob - Secretaria de Mobilidade Urbana - e a Semopi - de obras - anunciaram um plano de recuperação da malha viária de Natal com recursos do Governo Federal (PAC 2). A Prefeitura de Natal decretou estado de emergência para facilitar a obtenção dos recursos. Deus queira que a gestão atual consiga, porque ninguém aguenta mais tantos buracos!

É preciso tapar buracos nas quatro regiões da capital. E retomar a pavimentação de ruas e obras de drenagem.

Já imaginou essa buraqueira na Copa 2014? Se nós brincarmos haverá turista xingando, em inglês ou português: - Vai tomar no buraco!

Operação tapa-buracos é suspensa

10:59 | , ,

Créditos: Tribuna do Norte

A dívida com as empreiteiras que realizam a chamada "operação tapa-buraco" nas ruas de Natal gira entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões, segundo estimativa do secretário municipal de Obras Públicas e Infraestrutura, Dâmocles Lopes Trinta.  "O valor não é muito alto", chega a considerar o secretário, que ainda ontem tentava a liberação dos recursos para reinício das operações em Natal junto à área de finanças da prefeitura.

Foto: Junior Santos (Tribuna do Norte)
Já em 20 de maio o secretário  havia assinado quatro termos aditivos para a prorrogação de contrato com as empresas encarregadas da execução  serviços de recuperação da pavimentação a paralelepípedo ou a asfalto na cidade.

De acordo coma  Lei Orçamentária Anual (LOA) 2011, a Semopi contaria este ano com uma verba de R$ 6,382 milhões para a conservação e manutenção de vias públicas, de um orçamento total previsto de R$ 849,7 milhões para aquela secretaria. A previsão era de recuperar 2.500 metros quadrados de pavimentação de ruas.

No dia 23 de junho passado, o secretário Dâmocles declarara que pretendia intensificar o ritmo do programa de recuperação de ruas até setembro, usando recursos próprios do município, enquanto não vinha os recursos da Secretaria Nacional de Defesa Civil, vinculada o Ministério da Integração Nacional (MIN).

Na ocasião, ele dizia que o governo federal aprovara a liberação de R$ 10 milhões em duas parcelas para ajudar na restauração de ruas, mas que tinha R$ 6 milhões em recursos próprios para iniciar a operação. Ontem, ele informou que o município continua aguardado o repasse dos recursos, tendo informado, ainda, que também existe a garantia do governo estadual de liberar R$ 4 milhões, em duas parcelas de R$ 2 milhões para melhoria de infraestrutura urbana em Natal. Mas para isso, estão faltando apenas o envio de alguns documentos, para que seja fechado o convênio com o governo estadual.

O secretário também explicou que em virtude das chuvas que caíram recentemente em Natal, o piso ficou mais fraco e por isso não foi possível continuar as obras em algumas ruas.

Na região Oeste de Natal a situação permanece calamitosa,  onde na rua Santa Verônica, próximo a linha do trem que divide os bairros de Cidade Nova e Felipe Camarão, os carros praticamente passam por uma "pista de rally", como conta o comerciante Lívio Soares, que passa duas vezes por dia no local, entregando pão de sua padaria nas Quintas: "A prefeita anunciou que está tapando buraco, mas parece que as obras não chegaram por aqui".

Os motoristas que passam pela rua, quando não enfrentam os buracos cheios de água, têm de desviar o caminho quase em cima da linha do trem.

Ainda assim, a prefeitura anunciava que realizou obras na semana passada no conjunto Pirangi, Cidade Satélite, Lagoa Nova, Lagoa Seca e na Zona Norte.