15 de novembro de 2010

Vettel domina em Abu Dhabi, seca Alonso e arranca o título da Fórmula 1

14:43 | , ,

Créditos: Globoesporte.com
Foto: Agência EFE / Globoesporte.com
Sebastian Vettel chegou a Abu Dhabi sem nenhuma intimidade com o topo da tabela da Fórmula 1. O alemão da RBR não liderou a temporada em momento algum e entrou na última prova do ano como azarão para conquistar o título. Foi apresentado à liderança na hora certa, disse “muito prazer” e levantou uma taça que parecia improvável. Vettel largou na pole neste domingo, não olhou mais no retrovisor e empurrou a enrascada para quem vinha atrás. Ainda tinha de secar o bicampeão Fernando Alonso, que só precisava chegar em quarto lugar para ser tri. Parecia fácil para a Ferrari, mas não foi. O espanhol sofreu com os intrusos à sua frente e cruzou apenas em sétimo. Aos 23 anos, o alemão torna-se o piloto mais jovem a erguer um troféu da categoria.

Dono de 10 pole positions no campeonato de 2010, Vettel nunca precisou tanto confirmar a rapidez da sua RBR. No circuito da Yas Marina, só abriu mão do primeiro lugar por alguns instantes, quando parou nos boxes. E contou com a sorte de ver Alonso engarrafado lá atrás. Na temporada que começou com a notícia bombástica do retorno de Michael Schumacher, a Alemanha vibra com a ousadia de um garoto que tem idade para ser seu filho. O novíssimo campeão.

Lewis Hamilton, da McLaren, cruzou em segundo, mas suas chances de título eram remotas demais para buscar o milagre. Campeão em 2009 e sem chances em Abu Dhabi, Jenson Button foi o terceiro, seguido pelos coadjuvantes Nico Rosberg, da Mercedes, Robert Kubica, da Renault, e seu companheiro Vitaly Petrov. Alonso terminou em sétimo, à frente de Mark Webber, que em nenhum momento deu sinais de que poderia ganhar o título. Resta ao australiano de 34 anos ver o companheiro, uma década mais jovem e "queridinho" da equipe, levantando o troféu.

O triunfo de Vettel coroa um ano quase perfeito para a RBR, que já tinha conquistado o Mundial de Construtores por antecipação em Interlagos. Um prêmio à escuderia que em nenhum momento fez jogo de equipe e liberou seus pilotos para a disputa interna na pista. A Ferrari, mesmo com a polêmica troca de posições no GP da Alemanha, bate na trave com o vice-campeonato de Alonso, que ficou a quatro pontos do rival alemão.

Despedida melancólica de Alonso: O espanhol ainda saiu da temporada pela porta dos fundos. Dentro da pista, após a bandeirada, reclamou com Petrov, que não lhe facilitou a vida. Saiu do carro vaiado, enquanto o russo era aplaudidíssimo por ter segurado o piloto da Ferrari na maior parte da prova. Fernando foi o único a não cumprimentar Vettel após a corrida, e a escuderia italiana sumiu da festa do pódio, que geralmente tem representantes de todos os times: não havia um macacão vermelho sequer.

Àquela altura, claro, o alemão não estava nem aí para o chororô da Ferrari. Choro genuíno foi o seu, feito criança, pelo rádio. Ainda ao volante, agradeceu à RBR. No pódio, com os cabelos rebeldes bagunçados, ergueu os braços, levou as mãos ao rosto duas vezes e encheu os olhos d'água. Tomou um banho de champanhe de Button e Hamilton, justamente os dois campeões anteriores. Está passada a faixa. A Fórmula 1 tem um novo campeão. O mais novo de todos os tempos.

Os brasileiros se despediram de 2010 com papéis de figurantes neste domingo. Felipe Massa, da Ferrari, foi o décimo, e Rubens Barrichello chegou em 12º. Lucas Di Grassi, da VRT, cruzou em 18º, seguido por Bruno Senna, da Hispania, o antepenúltimo.

Schumi roda e tumultua início da prova: A corrida já começou tensa. Vettel manteve a ponta, seguido por Hamilton, mas Alonso perdeu a terceira posição para Button. E os holofotes, enfim, se voltaram para Schumacher. Não do jeito que o alemão gostaria, claro. Com um discreto nono lugar na classificação da temporada, ele só atraiu a atenção quando sua Mercedes rodou na primeira volta e parou no meio da pista, virada na contramão. O italiano Vitantonio Liuzzi não conseguiu desviar e literalmente escalou o carro de Schumi. Safety car na pista durante cinco voltas.

Na hora da relargada, o cenário era de limite para Alonso. O espanhol precisava resistir aos ataques de Webber e segurar a quinta posição, para que o título não caísse no colo de Vettel. Ainda havia 50 voltas pela frente, mas o piloto da Ferrari começava a ver o tricampeonato escapando.

Enquanto o alemão da RBR mantinha a ponta, Alonso estava em 11º na metade da corrida - posição fictícia, já que vários rivais ainda precisavam passar pelos boxes. Mas o espanhol se via preso atrás de Petrov e Rosberg, e aí não havia ficção alguma, porque os dois também já tinham parado. Era necessário ultrapassá-los para esticar a mão em direção à taça.

Quando Vettel fez sua parada, Button assumiu a liderança. Era apenas um alento para o campeão de 2009, que cumpria tabela nos Emirados Árabes e ainda seria obrigado a fazer o pit stop. Foi o que aconteceu na 40ª volta, quando o piloto da RBR retomou seu posto de líder, voando a caminho do título. No retrovisor, ele via Alonso em oitavo, ainda com Petrov e Rosberg no meio do caminho.

Robert Kubica parou na 47ª volta e retornou na frente de Alonso, complicando ainda mais a vida do bicampeão. Com o tempo escorrendo pelos dedos, era preciso ganhar três posições na base do acelerador, sem pit stops. O título caminhava em alta velocidade para Vettel, que só precisava trazer o carro até a bandeirada final. Foi o que aconteceu.

A Fórmula 1 conheceu seu mais jovem campeão, roubando por cinco meses o posto que era de Hamilton e já tinha sido do próprio Alonso. Prêmio para quem foi rápido durante todo o ano, apesar de só ter conhecido a liderança na última corrida. Quando de fato importava.

Carismático, prodígio e inconsequente, Vettel abre nova era de campeões

14:37 | , ,

Créditos: Uol
Foto: Ker Robertson (Getty Images / Uol)
Reconhecido como um talento nato desde sua passagem por categorias inferiores e bancado pela empresa que é dona de sua atual equipe, o alemão Sebastian Vettel personifica o contrário de tudo o que significa a Fórmula 1 atual e marca com irreverência uma nova era na categoria com seu primeiro título mundial.

Estreante na temporada de 2007, quando substituiu Robert Kubica por uma corrida na equipe BMW, Vettel sempre se mostrou um piloto rápido e inconsequente, o que acabou ocasionando vários problemas nesses pouco mais de três anos na principal categoria do automobilismo, mas o principal foi a forma como se portou.

Guardadas às devidas proporções e aos títulos mundiais conquistados, Sebastian Vettel surge como uma espécie de Valentino Rossi da Fórmula 1, lembrando o italiano nas brincadeiras, nas diferentes pinturas de capacetes, na velocidade e agora confirmando o potencial aguardado de campeão mundial, tendo como diferença o excesso de erros que ainda comete a bordo do carro da Red Bull.

Aos 23 anos, quatro meses e 11 dias, Sebastian Vettel também entra para a história como piloto mais novo a conquistar um título mundial de Fórmula 1, superando o inglês Lewis Hamilton, vencedor da temporada 2008 anos 23 anos e nove meses. E ser prodígio não é novidade para Vettel, que já é o piloto mais novo a somar pontos, a fazer uma pole position e a vencer uma corrida na história da categoria.

Assim como nas conquistas para a sua idade, Vettel também superou Lewis Hamilton na ousadia nesta temporada, já que excedeu o limite de erros, chegou a tirar o companheiro Mark Webber da liderança no Grande Prêmio da Turquia e ainda jogou a culpa no austrlaiano, tirou o inglês Jenson Button de uma corrida ao errar o tempo de freada na Bélgica e chegou a fazer provocações ao espanhol Fernando Alonso durante entrevistas coletivas.

Depois de fazer história com uma vitória pilotando o carro da Toro Rosso no Grande Prêmio da Itália de 2008, quando venceu de ponta a ponta na corrida em que largou na pole position, Vettel confirmou a expectativa da equipe e comprovou o acerto em não haver ordem por troca de posições dos pilotos no GP do Brasil, o que poderia beneficiar seu companheiro Webber, mas lhe tiraria da disputa pelo título.

Carismático, sorridente, que se diz fãs de três Michaels (Schumacher, Jordan e Jackson), além de dizer que seu sonho é jantar com a atriz pornô norte-americana Jenna Jameson e dar a seus carros nomes de mulher, ato digno de filmes, Vettel superou todos os seus companheiros de equipe e chegou ao ponto de conquistar o conservador dirigente Bernie Ecclestone, chefe da Fórmula 1 que diz ter o alemão como seu piloto favorito.

Após pilotar “Julie” em 2008, pela Toro Rosso, e Kate e Kate’s Dirty Sister, pela Red Bull em 2009, Sebastian Vettel nomeou suas duas versões de carros desta temporada como Luscious Liz e Randy Mandy. Por essas e outras, Vettel se destaca como um showman da Fórmula 1 e indica que o título conquistado pela primeira vez em Abu Dhabi não deverá ser o único e, se for, já terá muita história para ser contada.

Após erros em 2010, Vettel é campeão sem nunca ter liderado a temporada

14:34 | , ,

Créditos: Globoesporte.com
Foto: Reuters / Globoesporte.com
O título de Sebastian Vettel em 2010 serviu para derrubar uma antiga marca na Fórmula 1. Nunca um piloto conseguiu ser campeão do mundo sem ter antes liderado o campeonato. Com o alemão da RBR, no entanto, foi assim. Tido como muito rápido, sempre cometeu muitos erros desde sua chegada à categoria. Neste ano, entretanto, eles cresceram na mesma proporção em que conseguia poles positions: foram 10 nas 19 corridas da temporada, mais da metade.

Tudo começou no GP da Turquia, ainda na primeira metade da temporada, quando a RBR, após alguns problemas mecânicos, assumiu a posição de favorita ao título. Com o companheiro Mark Webber na liderança, Vettel se afobou, tentou ultrapassar o australiano, que defendeu a posição. Ele acabou perdendo o controle do carro e acertou o do rival. O alemão teve de abandonar a prova, perdeu pontos importantes e ainda iniciou uma crise dentro da equipe.

Duas corridas depois, mais uma de Vettel. Após a confusão da asa dianteira durante o treino classificatório, quando usou uma peça que pertencia a Webber e o australiano reclamou, Vettel largou mal e foi afobado na primeira curva. Após ser fechado pelo companheiro, que tinha assumido a ponta, o alemão acabou tendo o pneu furado involuntariamente pela asa dianteira de Hamilton. Após uma corrida de recuperação, ele ainda conseguiu chegar em sétimo.

Os erros de Vettel continuaram na Alemanha. Ele conseguiu a pole no último minuto do treino classificatório, mas largou mal novamente e acabou superado pelas Ferraris de Felipe Massa e Fernando Alonso. Depois, sequer conseguiu acompanhar o ritmo dos rivais, que dispararam e protagonizaram a polêmica troca de posições para que o espanhol vencesse a corrida. O alemão teve de se contentar com o terceiro posto no GP.

A situação se repetiu pela terceira corrida seguida. Vettel foi pole na Hungria, mas cometeu um erro primário durante a intervenção do safety car. Ele deixou que o carro de segurança abrisse uma vantagem maior do que a permitida pelo regulamento e foi punido com um drive through (passagem pelos boxes). Mas voltou à pista e ainda conseguiu subir ao pódio na terceira posição.

Na Bélgica, novamente, uma falha. Vettel perdeu o controle do carro na freada para a chicane Bus Stop, na 16ª volta, e acertou o inglês Jenson Button, forçando o abandono do atual campeão do mundo. Ele foi punido com um drive through por causa da batida. Depois disso, ainda teve um pneu furado ao calcular mal o espaço e acertar a asa dianteira de Vitantonio Liuzzi, da Force India, quando o ultrapassava. Após cinco pit stops, terminou apenas em 15º.

Na parte final do campeonato, Vettel sossegou e começou a fazer corridas mais centradas, menos impulsivas. Ele pontuou em quatro das cinco e venceu duas. Só que deu azar na Coreia do Sul, quando liderava e o motor abriu o bico a poucas voltas do fim. Apesar disso, ele ainda conseguiu se recuperar e conquistar o título mundial em 2010.

13 de novembro de 2010

O exemplo do "abestado"

19:58 | , , ,

E, mais uma vez, a internet deixa este blogueiro na mão... Peço desculpas pela demora em atualizar o blog, mesmo que não sendo por vontade própria. Mas, espero que, na segunda-feira, nosso espaço seja atualizado normalmente. E fique com mais um texto inédito!
Pense como fiquei feliz essa semana com a aprovação de Tiririca no seu teste de alfabetização para poder assumir sua vaga de deputado federal, assegurada com 1,3 milhão de votos pelo PR/SP.

Isso prova, de uma vez por todas, que um semi-analfabeto pode sim exercer um cargo eletivo. Ele também deve ter capacidade de falar sério e querer algo melhor para o país que ri com as mancadas dos políticos e das suas piadas no Show do Tom, na TV Record.

Ora, que preconceito bobo. Além de tudo, se percebe que há uma intolerância perante a vontade popular. Essa arrogância pode prejudicar Tiririca e outros eleitos por conta de um erro ortográfico. Seria para favorecer o segundo colocado, que teve menos da metade de seus votos?

Outra intolerância que percebo: O fato de ser nordestino e oriundo de um circo. Ele mesmo já falou que possui lesões nas mãos, o que dificulta sua escrita. Creio que o bom senso, nessas horas, deveria falar mais alto, uma vez que dificuldades existem para todos, inclusive para o juíz e o promotor.

Ainda bem que o "abestado" passou no teste e vai poder assumir. Mas, bem que um bocado de abestados que estão em Brasília e foram reeleitos poderiam fazer esse teste e serem reprovados. É melhor um "abestado" sincero e que tem vontade de trabalhar do que um monte de abestados que só querem saber de encher seus bolsos. Força, Tiririca!

Tiririca prova que ‘abestado’ sabe ler e escrever

19:42 | , , ,

Foto: Jornal Correio do Brasil (RJ)
O dublê de palhaço e deputado federal eleito Francisco Everardo Oliveira Silva (PR-SP) encerra a polêmica evidenciada em uma reportagem que se mostrou mentirosa ao provar que sabe ler e escrever, e, por isso, pode assumir seu cargo de deputado federal eleito por São Paulo com mais de um milhão de votos. O Tiririca passou no teste de leitura e escrita feito nesta quinta-feira pela Justiça Eleitoral. Walter de Almeira Guilherme, presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), contou que o parlamentar eleito fez um ditado tirado de um livro editado pelo Tribunal: Justiça Eleitoral, uma retrospectiva. A frase ditada foi extraída aleatoriamente de um livro da Justiça Eleitoral: “A promulgação do código eleitoral em fevereiro de 1932 trazendo como grandes novidades a criação da Justiça Eleitoral”.

Ainda de acordo com o presidente do TRE-SP, Tiririca teve de ler uma notícia de jornal e fazer uma interpretação do que leu e escreveu. As manchetes foram “Procon manda fechar lojas que vendem produtos vencidos” e “O tributo final a Senna”. O presidente do TRE-SP ressaltou, porém, que a decisão sobre a diplomação de Tiririca caberá ao juiz Aloízio Silveira, da Primeira Zona Eleitoral.

A polêmica começou depois de uma reportagem da revista Época, poucas semanas antes da eleição, apontando que Tiririca era analfabeto, de acordo com pessoas que trabalhavam e conviviam com ele. No ato do registro da candidatura, Tiririca, assim como todos os candidatos, entregou um documento atestando que tinha o primeiro grau incompleto, mas que sabia ler e escrever. O documento foi submetido à perícia, que apontou irregularidades na caligrafia – uma pessoa poderia ter escrito por Tiririca. O palhaço se recusou a fazer a perícia do documento, o que foi aceito pelo TRE-SP, já que ninguém é obrigado a produzir uma prova contra si mesmo.