15 de novembro de 2010

Carismático, prodígio e inconsequente, Vettel abre nova era de campeões

14:37 | , ,

Créditos: Uol
Foto: Ker Robertson (Getty Images / Uol)
Reconhecido como um talento nato desde sua passagem por categorias inferiores e bancado pela empresa que é dona de sua atual equipe, o alemão Sebastian Vettel personifica o contrário de tudo o que significa a Fórmula 1 atual e marca com irreverência uma nova era na categoria com seu primeiro título mundial.

Estreante na temporada de 2007, quando substituiu Robert Kubica por uma corrida na equipe BMW, Vettel sempre se mostrou um piloto rápido e inconsequente, o que acabou ocasionando vários problemas nesses pouco mais de três anos na principal categoria do automobilismo, mas o principal foi a forma como se portou.

Guardadas às devidas proporções e aos títulos mundiais conquistados, Sebastian Vettel surge como uma espécie de Valentino Rossi da Fórmula 1, lembrando o italiano nas brincadeiras, nas diferentes pinturas de capacetes, na velocidade e agora confirmando o potencial aguardado de campeão mundial, tendo como diferença o excesso de erros que ainda comete a bordo do carro da Red Bull.

Aos 23 anos, quatro meses e 11 dias, Sebastian Vettel também entra para a história como piloto mais novo a conquistar um título mundial de Fórmula 1, superando o inglês Lewis Hamilton, vencedor da temporada 2008 anos 23 anos e nove meses. E ser prodígio não é novidade para Vettel, que já é o piloto mais novo a somar pontos, a fazer uma pole position e a vencer uma corrida na história da categoria.

Assim como nas conquistas para a sua idade, Vettel também superou Lewis Hamilton na ousadia nesta temporada, já que excedeu o limite de erros, chegou a tirar o companheiro Mark Webber da liderança no Grande Prêmio da Turquia e ainda jogou a culpa no austrlaiano, tirou o inglês Jenson Button de uma corrida ao errar o tempo de freada na Bélgica e chegou a fazer provocações ao espanhol Fernando Alonso durante entrevistas coletivas.

Depois de fazer história com uma vitória pilotando o carro da Toro Rosso no Grande Prêmio da Itália de 2008, quando venceu de ponta a ponta na corrida em que largou na pole position, Vettel confirmou a expectativa da equipe e comprovou o acerto em não haver ordem por troca de posições dos pilotos no GP do Brasil, o que poderia beneficiar seu companheiro Webber, mas lhe tiraria da disputa pelo título.

Carismático, sorridente, que se diz fãs de três Michaels (Schumacher, Jordan e Jackson), além de dizer que seu sonho é jantar com a atriz pornô norte-americana Jenna Jameson e dar a seus carros nomes de mulher, ato digno de filmes, Vettel superou todos os seus companheiros de equipe e chegou ao ponto de conquistar o conservador dirigente Bernie Ecclestone, chefe da Fórmula 1 que diz ter o alemão como seu piloto favorito.

Após pilotar “Julie” em 2008, pela Toro Rosso, e Kate e Kate’s Dirty Sister, pela Red Bull em 2009, Sebastian Vettel nomeou suas duas versões de carros desta temporada como Luscious Liz e Randy Mandy. Por essas e outras, Vettel se destaca como um showman da Fórmula 1 e indica que o título conquistado pela primeira vez em Abu Dhabi não deverá ser o único e, se for, já terá muita história para ser contada.

Após erros em 2010, Vettel é campeão sem nunca ter liderado a temporada

14:34 | , ,

Créditos: Globoesporte.com
Foto: Reuters / Globoesporte.com
O título de Sebastian Vettel em 2010 serviu para derrubar uma antiga marca na Fórmula 1. Nunca um piloto conseguiu ser campeão do mundo sem ter antes liderado o campeonato. Com o alemão da RBR, no entanto, foi assim. Tido como muito rápido, sempre cometeu muitos erros desde sua chegada à categoria. Neste ano, entretanto, eles cresceram na mesma proporção em que conseguia poles positions: foram 10 nas 19 corridas da temporada, mais da metade.

Tudo começou no GP da Turquia, ainda na primeira metade da temporada, quando a RBR, após alguns problemas mecânicos, assumiu a posição de favorita ao título. Com o companheiro Mark Webber na liderança, Vettel se afobou, tentou ultrapassar o australiano, que defendeu a posição. Ele acabou perdendo o controle do carro e acertou o do rival. O alemão teve de abandonar a prova, perdeu pontos importantes e ainda iniciou uma crise dentro da equipe.

Duas corridas depois, mais uma de Vettel. Após a confusão da asa dianteira durante o treino classificatório, quando usou uma peça que pertencia a Webber e o australiano reclamou, Vettel largou mal e foi afobado na primeira curva. Após ser fechado pelo companheiro, que tinha assumido a ponta, o alemão acabou tendo o pneu furado involuntariamente pela asa dianteira de Hamilton. Após uma corrida de recuperação, ele ainda conseguiu chegar em sétimo.

Os erros de Vettel continuaram na Alemanha. Ele conseguiu a pole no último minuto do treino classificatório, mas largou mal novamente e acabou superado pelas Ferraris de Felipe Massa e Fernando Alonso. Depois, sequer conseguiu acompanhar o ritmo dos rivais, que dispararam e protagonizaram a polêmica troca de posições para que o espanhol vencesse a corrida. O alemão teve de se contentar com o terceiro posto no GP.

A situação se repetiu pela terceira corrida seguida. Vettel foi pole na Hungria, mas cometeu um erro primário durante a intervenção do safety car. Ele deixou que o carro de segurança abrisse uma vantagem maior do que a permitida pelo regulamento e foi punido com um drive through (passagem pelos boxes). Mas voltou à pista e ainda conseguiu subir ao pódio na terceira posição.

Na Bélgica, novamente, uma falha. Vettel perdeu o controle do carro na freada para a chicane Bus Stop, na 16ª volta, e acertou o inglês Jenson Button, forçando o abandono do atual campeão do mundo. Ele foi punido com um drive through por causa da batida. Depois disso, ainda teve um pneu furado ao calcular mal o espaço e acertar a asa dianteira de Vitantonio Liuzzi, da Force India, quando o ultrapassava. Após cinco pit stops, terminou apenas em 15º.

Na parte final do campeonato, Vettel sossegou e começou a fazer corridas mais centradas, menos impulsivas. Ele pontuou em quatro das cinco e venceu duas. Só que deu azar na Coreia do Sul, quando liderava e o motor abriu o bico a poucas voltas do fim. Apesar disso, ele ainda conseguiu se recuperar e conquistar o título mundial em 2010.

13 de novembro de 2010

O exemplo do "abestado"

19:58 | , , ,

E, mais uma vez, a internet deixa este blogueiro na mão... Peço desculpas pela demora em atualizar o blog, mesmo que não sendo por vontade própria. Mas, espero que, na segunda-feira, nosso espaço seja atualizado normalmente. E fique com mais um texto inédito!
Pense como fiquei feliz essa semana com a aprovação de Tiririca no seu teste de alfabetização para poder assumir sua vaga de deputado federal, assegurada com 1,3 milhão de votos pelo PR/SP.

Isso prova, de uma vez por todas, que um semi-analfabeto pode sim exercer um cargo eletivo. Ele também deve ter capacidade de falar sério e querer algo melhor para o país que ri com as mancadas dos políticos e das suas piadas no Show do Tom, na TV Record.

Ora, que preconceito bobo. Além de tudo, se percebe que há uma intolerância perante a vontade popular. Essa arrogância pode prejudicar Tiririca e outros eleitos por conta de um erro ortográfico. Seria para favorecer o segundo colocado, que teve menos da metade de seus votos?

Outra intolerância que percebo: O fato de ser nordestino e oriundo de um circo. Ele mesmo já falou que possui lesões nas mãos, o que dificulta sua escrita. Creio que o bom senso, nessas horas, deveria falar mais alto, uma vez que dificuldades existem para todos, inclusive para o juíz e o promotor.

Ainda bem que o "abestado" passou no teste e vai poder assumir. Mas, bem que um bocado de abestados que estão em Brasília e foram reeleitos poderiam fazer esse teste e serem reprovados. É melhor um "abestado" sincero e que tem vontade de trabalhar do que um monte de abestados que só querem saber de encher seus bolsos. Força, Tiririca!

Tiririca prova que ‘abestado’ sabe ler e escrever

19:42 | , , ,

Foto: Jornal Correio do Brasil (RJ)
O dublê de palhaço e deputado federal eleito Francisco Everardo Oliveira Silva (PR-SP) encerra a polêmica evidenciada em uma reportagem que se mostrou mentirosa ao provar que sabe ler e escrever, e, por isso, pode assumir seu cargo de deputado federal eleito por São Paulo com mais de um milhão de votos. O Tiririca passou no teste de leitura e escrita feito nesta quinta-feira pela Justiça Eleitoral. Walter de Almeira Guilherme, presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), contou que o parlamentar eleito fez um ditado tirado de um livro editado pelo Tribunal: Justiça Eleitoral, uma retrospectiva. A frase ditada foi extraída aleatoriamente de um livro da Justiça Eleitoral: “A promulgação do código eleitoral em fevereiro de 1932 trazendo como grandes novidades a criação da Justiça Eleitoral”.

Ainda de acordo com o presidente do TRE-SP, Tiririca teve de ler uma notícia de jornal e fazer uma interpretação do que leu e escreveu. As manchetes foram “Procon manda fechar lojas que vendem produtos vencidos” e “O tributo final a Senna”. O presidente do TRE-SP ressaltou, porém, que a decisão sobre a diplomação de Tiririca caberá ao juiz Aloízio Silveira, da Primeira Zona Eleitoral.

A polêmica começou depois de uma reportagem da revista Época, poucas semanas antes da eleição, apontando que Tiririca era analfabeto, de acordo com pessoas que trabalhavam e conviviam com ele. No ato do registro da candidatura, Tiririca, assim como todos os candidatos, entregou um documento atestando que tinha o primeiro grau incompleto, mas que sabia ler e escrever. O documento foi submetido à perícia, que apontou irregularidades na caligrafia – uma pessoa poderia ter escrito por Tiririca. O palhaço se recusou a fazer a perícia do documento, o que foi aceito pelo TRE-SP, já que ninguém é obrigado a produzir uma prova contra si mesmo.

“De 10 vocábulos que escreveu, Tiririca errou nove”, diz promotor

19:40 | , , ,

Créditos: Revista Época
Apesar de o presidente do TRE, Walter de Almeida Guilherme, ter dito que o deputado eleito Tiririca “leu e escreveu” diante do juiz, o promotor da 1ª Zona Eleitoral, Maurício Antônio Ribeiro Lopes, não está satisfeito com o desempenho do humorista. “De 10 vocábulos [do ditado] que escreveu, ele errou nove”, diz.

A frase ditada para Tiririca foi “A promulgação do Código Eleitoral, em fevereiro de 1932, trazendo como grandes novidades a criação da Justiça Eleitoral”. Ribeiro Lopes não informou quais teriam sido as nove palavras que o humorista errou. No teste de leitura, Tiririca leu o título e o subtítulo de uma notícia de jornal.

O promotor disse ainda que não vai desistir do processo por falsificação de documento contra o deputado eleito. Ele sustenta que a declaração de alfabetização, que deveria ser feita de próprio punho pelo humorista para registro de sua candidatura, “foi forjada para a Justiça”. Ribeiro Lopes se baseia na diferença entre as grafias apresentadas no ditado de Tiririca e na declaração.

A audiência de hoje, que durou mais de 12 horas, terminou sem uma sentença do juiz. Além do teste com Tiririca, foram ouvidas três testemunhas.