8 de novembro de 2010

Credibilidade indo por água abaixo

21:07 | , ,

Já se foi o tempo que fazer uma prova era prazeroso e produtivo para se testar conhecimentos. Isso é o que acontece com o ENEM nos últimos dois anos: Passou o tempo em que era legal você testar seu conhecimento em uma prova de âmbito nacional.

O ENEM, depois de sua modificação, vem perdendo cada vez mais credibilidade e confiança por parte dos estudantes. Parece que o MEC, ao invés de facilitar o acesso do jovem à universidade, piorou as coisas. Provas mal diagramadas, erros grotescos da gráfica na organização da prova, bem como no cartão de respostas, até roubo de provas teve. Lamentável!

O que esse exame precisa é de uma nova reorganização. Quem comanda a aplicação dessas provas de grande magnitude não pode tolerar erros grosseiros como os das provas do último fim de semana. Já bastou o cúmulo de duas provas vierem misturadas no mesmo caderno de provas.

E o estudante que perdeu tempo, sono, compromissos e outras coisas para se dedicar ao estudo de até um ano para fazer essa prova e é surpreendido com falhas tão graves? Como é que fica? Vai perder mais um ano de estudo? O MEC deveria tomar sérias providências para combater esse amadorismo de ensino fundamental na aplicação dessas provas.

Aproveito para saudar a juíza cearense que deferiu a liminar suspendendo a correção e o andamento do cronograma do ENEM. Ações enérgicas precisam ser tomadas para que esse exame volte a ser confiável - Caso contrário, estou prevendo que, ano que vem, a abstenção possa dobrar e o velho vestibular volte a ser mais importante.

Abre o olho, MEC!

Justiça Federal do Ceará determina suspensão do Enem em todo o país

20:55 | , ,

Créditos: Folha Online
A Justiça Federal do Ceará suspendeu nesta segunda-feira o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), acatando um pedido de liminar (decisão provisória) feito pelo Ministério Público Federal. A decisão tem efeito em todo o Brasil. Cabe recurso.

A decisão da juíza federal Karla de Almeida Miranda Maia, da 7ª Vara Federal, se baseou no argumento de que o erro da impressão das provas prejudicou os candidatos. "O cartão de resposta tinha a mesma divisão de cabeçalho, porém a ordem desses mesmos cabeçalhos estava trocada", escreveu.

Em seu despacho, a juíza afirmou ainda que, "em algumas salas", os candidatos foram orientados a preencher o gabarito invertendo a ordem das respostas, o que seria incorreto, pois apenas os cabeçalhos das questões haviam sido alterados. Para ela, a realização de novos exames para parte dos candidatos "poria em desigualdade todos os candidatos remanescentes".

"Esses erros de impressão, de montagem e de aplicação das provas do Enem foram todos admitidos pelo Inep, o qual se manifestou sobre isso de forma pífia", escreveu.

Em nota, o procurador da República Oscar Costa Filho afirmou que a decisão traz "segurança e estabilidade". Há duas semanas, antes que o Enem fosse realizado, o procurador pediu a suspensão do Enem, por considerar que não havia segurança na aplicação da prova.

"O exame está suspenso e estamos postulando, evidentemente, a anulação da prova. Essa suspensão é importante porque põe ordem na casa, ou seja, acaba com essa incerteza generalizada, de ninguém saber de nada, de como ia ficar", disse Costa Filho.

Para o procurador, é preciso identificar e punir os responsáveis pelo ocorrido. "Como se justifica um erro grosseiro como esse na troca de um gabarito?", questionou.

Segundo ele, os organizadores do exame atribuíram às escolas a decisão de escolher os fiscais. Para ele, essas tarefas deveriam ser atribuídas a universidades federais.

Outro lado: O MEC (Ministério da Educação) informou que vai prestar esclarecimentos à Justiça Federal e nega prejuízo aos candidatos.

Em nota, o ministério informou que "a preocupação da magistrada referente à igualdade de condições dos concorrentes está assegurada pela utilização da Teoria de Resposta ao Item (TRI)."

A TRI, diz o MEC, permite a comparabilidade no tempo. Com ela, "o conjunto de modelos matemáticos usados no Enem permite que os exames tenham o mesmo grau de dificuldade".

O ministério citou o caso de estudantes do Espírito Santo que foram impedidos de fazer a prova devido a enchentes no ano passado, mas acabaram realizando um mês depois, na mesma data que presidiários.

Problemas: No sábado (6), primeiro dia de prova, parte dos exemplares saiu com folhas repetidas ou erradas. Nesses casos, os alunos não receberam todas as questões. Já no cabeçalho da folha de respostas recebida por todos os alunos, o espaço para o gabarito das questões de ciências da natureza estava incorretamente identificado como ciências humanas.

Ontem, o presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), Joaquim José Soares Neto afirmou que o problema nas provas amarelas ainda está sendo dimensionado. Ao todo, as provas são divididas em quatro cores. Uma estimativa preliminar e extraoficial é que cerca 2.000 estudantes tenham feito a prova incompleta.

A suspensão do Enem já havia sido defendida pela seção paulista da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e pela Defensoria Pública da União.

Na noite de sábado (6), Soares Neto repetiu em diversas ocasiões de uma entrevista coletiva concedida em Brasília que não havia possibilidade de o exame ser anulado.

Ao todo, o Enem teve 4,6 milhões de inscrições neste ano. Porém, a abstenção foi de 27% no sábado e fechou o domingo em 29% --cerca de 3,3 milhões compareceram em 1.698 cidades do país.

No ano passado, quando a prova vazou e foi adiada, a abstenção ficou próxima dos 40%.

A previsão do MEC (Ministério da Educação) é que os inscritos no exame concorressem a 83 mil vagas em 83 instituições federais de ensino, por meio do Sisu (sistema que destina vagas em instituições federais apenas com base na nota do Enem).

Ministro considera baixo o número de prejudicados no Enem

20:40 | , ,

Créditos: Folha Online
Foto: Alan Marques (Folhapress)
O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse nesta segunda-feira que o MEC recebeu um número relativamente pequeno de relatos de problemas no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), aplicado neste fim de semana para 3,3 milhões de estudantes em todo o país.

De acordo com Haddad, o Inep ainda investiga o número exato de candidatos prejudicados, mas que, até a tarde desta segunda, o número de casos estava abaixo da estimativa inicial de 2.000 estudantes. O MEC disse que, até agora, identificou apenas uma escola inteira em Sergipe que não conseguiu trocar as provas com questões repetidas ou faltando, além de outros casos, isolados, em todo o país.

Ele afirmou que, na maior parte dos casos, os estudantes que receberam provas com defeito conseguiram trocar as provas. Ele afirma que havia um grande número de provas sobressalentes e também várias provas sobrando, já que a abstenção foi de de 29%.

"Feito o balanço dos estudantes que não tiveram a prova trocada, a vantagem do Enem é que ele poderá fazer a prova depois sem prejuízo", disse. Haddad afirmou que estão avaliando caso a caso, e que "100% dos estudantes serão contemplados". Ele disse que ainda não foi definida a data da eventual prova.

Haddad também citou que o problema nas provas foi assumido pela gráfica RR Donnelley e que, caso haja nova prova, o custo de impressão será bancado pela empresa.

Suspensão: Sobre a suspensão da prova, determinada pela Justiça Federal do Ceará, o ministro disse que a consultoria jurídica do MEC tentaria reverter a decisão. Os advogados vão prestar esclarecimentos sobre a metodologia do Enem, e, caso não convençam a juíza, vão recorrer da decisão.

Haddad disse que outras liminares (decisão provisórias) já tentaram suspender o Enem no passado, mas que em todas as ocasiões as decisões foram revistas. O ministro disse ainda que a consultoria jurídica avalia se, caso a suspensão seja mantida, existe problema em colocar no ar o sistema para que o aluno indique como preencheu o cartão de respostas da prova. A previsão é que o sistema esteja funcionando até quarta-feira pelo site do Inep (www.inep.gov.br).

Haddad defendeu que o Enem é "absolutamente sustentável" sob o ponto de vista técnico e disse que não cogita marcar um novo exame.

Responsabilidade: Outro erro comentado pelo minsitro foi o do cabeçalho da folha de respostas, que tinha o espaço para o gabarito das questões de ciências da natureza incorretamente identificado como de ciências humanas.

Ele disse que será aberto um procedimento administrativo para investigar a responsabilidade de algum funcionário do Inep na autorização da impressão errada. O funcionário pode não ter dado conta de que os cabeçalhos estavam trocados pois, no ano passado, as questões tiveram ordem diferentes da deste ano. "Houve a inobservância da portaria que regulamenta o Enem", disse o ministro, sem especificar quem deixou de prestar atenção.

Gráfica diz que vai adotar medidas para solucionar problemas da prova do Enem

20:35 | , ,

Créditos: Folha Online
A gráfica RR Donnelley, responsável pela impressão das provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), afirmou em nota que se responsabiliza por "adotar as medidas necessárias para a solução dos problemas gerados" por erros na prova, aplicada neste fim de semana.

De acordo com a empresa, as medidas visarão principalmente "garantir os direitos dos estudantes eventualmente prejudicados". A afirmação da empresa foi comentada pelo presidente do Inep, José Joaquim Soares Neto, em entrevista ao "Jornal Hoje", da TV Globo.

De acordo com a gráfica, o erro de ordem das questões nas provas amarelas não foi detectado antes por causa do sistema de segurança utilizado para evitar o vazamento da prova.

"A manutenção do sigilo do conteúdo nos impede que sejam feitas revisões de processo com a leitura do material impresso", diz a nota. O erro nas provas amarelas foi constatado durante a aplicação do primeiro dia do exame --33 mil provas tiveram problemas, das quais 21 mil foram distribuídas.

A gráfica afirma ainda que o problema está "dentro da normalidade" e argumenta que as provas com defeito representam 0,003 do total de provas impressas.

5 de novembro de 2010

Onde iremos parar? Até no twitter...

21:04 | , ,

Eu não tenho twitter. Ainda não faço planos de ter um, apesar de sugestões de leitores. Não vejo muita praticidade nesse microblog. Mas, 140 caracteres podem dizer muita coisa. Às vezes, são coisas boas, pro bem de todos geralmente. Mas, o que o Brasil testemunhou na noite do último domingo foi lamentável.

A ESTUDANTE DE DIREITO Mayara Petruso postou em seu twitter frases de baixíssimo calão ofendendo os nordestinos de todas as maneiras possíveis e imagináveis após a confirmação da vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais, em que ela foi a escolhida para suceder o atual presidente, o nordestino e pernambucano, como eu, Lula.

Fiquei estarrecido e, como dizemos por aqui, peguei ar. Nossa, que falta de sensibilidade dessa linda e jovem garota. Afinal, qual é a bronca dela com nós nordestinos? Fizemos algo contra você, Mayara?

Não entendo o porque de tanto ódio. Mas, o racismo voltou a ser pauta de discussão. Atitudes como essas são desprezíveis, mesmo sendo feitas por qualquer um, de qualquer lugar. O racismo é um dos piores tipos de crime existentes por não ferir fisicamente a vítima: Fere sua alma, sua honra, sua dignidade. E as palavras que essa paulistana dirigiu a nós, nordestinos, foram lamentáveis.

Para piorar a situação, ela é estudante de direito. Aí é que o buraco é mais embaixo. Graças a uma atitude infantil e palavras de uma pessoa despeitada perdeu o emprego e ficou queimada no meio jurídico para o resto de sua vida.

O nordestino é um povo forte, batalhador, humilde e, acima de tudo, digno. Praticamente somos nós que levamos o Brasil pra frente, pois tivemos de correr para o sudeste e o sul para arrumar emprego. Se não fossem os nordestinos, os paulistas e outros habitantes do sul não viveriam tão bem. É graças a um nordestino que o Brasil mudou profundamente e tem a tendência de continuar mudando. Por esses e outros motivos que eu, nordestino, pernambucano da cidade de Correntes e residente hoje em Natal, no Rio Grande do Norte, repudio veementemente atos racistas de pessoas infantis e que não tem qualquer compromisso com a sociedade, como é o caso dessa garota.

E que esse episódio fique de lição para quem ainda não gosta dos nordestinos. Se quiserem insistir, devem lembrar que a xenofobia, ou o racismo, são crimes previstos no código penal. Mas, antes da justiça fazer seu papel, aqueles que ainda dotam de preconceito desnecessário contra os nordestinos e qualquer outro segmento social devem pensar inúmeras vezes sobre o que escrevem ou o que falam. É melhor ficar quieto, pois se for alvo dessas provocações, não vai gostar. Não ao racismo!