5 de novembro de 2010

Escritório de advocacia lamenta ataques de ex-estagiária contra nordestinos na web

20:47 | , ,

Créditos: R7
O escritório Peixoto e Cury Advogados enviou uma nota informando que a estudante de direito Mayara Petruso, apontada como autora de uma mensagem que desencadeou uma onda de preconceito contra os nordestinos no Twitter, não trabalha mais no local. O escritório também lamentou o comentário “infeliz” da jovem.

Mayara, que trabalhava como estagiária, teria publicado um comentário no qual responsabilizava a população do Nordeste pela vitória da petista Dilma Rousseff na disputa presidencial. “Nordestino não é gente, façam um favor a SP, mate um nordestino afogado!”, dizia a mensagem. Em meio à polêmica, os perfis criados em nome da estudante foram excluídos do Twitter e do Facebook.

Inicialmente, o R7 informou que a estudante havia sido demitida do escritório. Entretanto, a assessoria da empresa esclareceu posteriormente que a estagiária apenas “não faz mais parte dos quadros do escritório”. A empresa não informou se a saída da jovem tem ligação com a polêmica.

“Com muito pesar e indignação, [o escritório] lamenta a infeliz opinião pessoal emitida, em rede social, pela mesma, da qual apenas tomou conhecimento pela mídia e que veemente é contrário, deixando, assim, ao crivo das autoridades competentes as providências cabíveis”, diz o comunicado.

A seccional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Pernambuco vai entrar nesta quinta-feira (4) com uma representação no Ministério Público Federal em São Paulo contra a estudante.

O presidente da OAB-PE, Henrique Mariano, explicou que a notícia crime será apresentada contra Mayara porque ela já foi identificada, o que não impede que a medida seja tomada também em relação a outras pessoas.

- O fato de ela ser uma estudante de direito é ainda mais grave, porque ela é preparada para exercer, futuramente, uma profissão que tem como função legal defender as políticas de direitos humanos e a justiça social. É inconcebível uma universitária, mesmo que não fosse universitária, dar uma declaração dessa natureza, ofensiva com a população de uma região. Mas isso não é só contra ela, é contra todas aquelas pessoas que participaram dessa onda.

A OAB-PE pede a instauração de uma ação penal, para que a estudante responda pelos crimes de racismo e incitação pública para ato delitoso - que, no caso, seria homicídio.

A estudante não foi localizada pelo R7 para comentar o caso.

Ofensas a nordestinos no Twitter ganham repercussão no exterior

20:41 | , ,

Créditos: Yahoo!
Imagem: Blog do Luu
A história da estudante de direito Mayara Petruso, que postou mensagens de ódio contra nordestinos no Twitter logo após a eleição de Dilma Rousseff (PT), teve repercussão num dos maiores jornais do mundo, o britânico Telegraph.

A reportagem, assinada pelo correspondente do jornal em São Paulo, Robin Yapp, destaca que a OAB de Pernambuco entrou nesta quarta-feira com uma notícia-crime no Ministério Público Federal em São Paulo contra Mayara. Dentre as muitas mensagens ofensivas escritas pela estudante, o Telegraph cita a de maior repercussão no Brasil: "Nordestino não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado" (sic).

O texto do jornal inglês explica que a maior parte da população da região Nordeste do Brasil é composta por negros e pardos, enquanto o Sul é predominantemente branco. A reportagem cita que se o caso for a julgamento, Mayara pode pegar de dois a cinco anos por racismo e de três a seis meses por "incitação pública ao ato delituoso".

O Telegraph explica também que é errada a percepção de Mayara e outros usuários do Twitter que afirmaram que Dilma só foi eleita por causa dos votos do Nordeste - a candidata do PT ganharia a eleição mesmo sem os votos dessa região.

A reportagem cita declarações do presidente da OAB-PE, Henry Mariano, que classificou as ofensas de Mayara como inaceitáveis. "Como alguém com esse comportamento pode se tornar um profissional que depois lutará por justiça e direitos humanos?"

MP vai avaliar se investiga racismo contra nordestinos no Twitter

20:34 | , ,

Créditos: G1
Uma série de mensagens preconceituosas contra nordestinos publicada no Twitter a partir do último domingo (31) pode ser alvo de investigação do Ministério Público Federal (MPF) após uma procuradora regional de São Paulo ter encaminhado um ofício sobre o tema nesta quarta-feira (3). A seccional de Pernambuco da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) também anunciou que vai oferecer uma notícia-crime junto ao MPF-SP na quinta-feira (4), segundo o presidente da seccional pernambucana da ordem, Henrique Mariano.

As mensagens de ataque a nordestinos começaram no final de domingo, após a eleição de Dilma Rousseff para a Presidência. Entre as mais republicadas estava a de uma jovem identificada como Mayara Petruso, que chegou a figurar na lista de assuntos mais comentados do Twitter.

A procuradora regional Janice Ascari recebeu as mensagens em sua página na rede social, imprimiu os arquivos e os encaminhou nesta quarta ao Ministério Público Federal. “Constatei condutas irregulares de preconceito e discriminação na esfera nacional. Existe uma lei para isso. Não pude deixar de ver e fazer o meu dever”, disse Janice, que se identifica como “paulista, paulistana e absolutamente contrária a qualquer forma de discriminação”.

“Eu, como procuradora regional, sendo um caso da esfera nacional não tenho autoridade para abrir a investigação. Então repassei às autoridades competentes”, afirmou.

O presidente da OAB-PE afirma ter reunido documentos tirados da internet e conseguido o endereço de Mayara Petruso em São Paulo. Todas as informações serão encaminhadas ao MPF. Henrique Mariano diz que pedirá que a autora das mensagens responda pelos crimes de racismo e de incitação pública ao crime de homicídio. “Ela pede, em sua mensagem, que as pessoas afoguem nordestinos”, explica.

Mariano falou também sobre relatos de que a jovem seria estudante de Direito. “É uma postura inadmissível para qualquer ser humano, mas é especialmente triste ver uma atitude dessa vinda de uma acadêmica do Direito. É uma posição que contraria todos os princípios norteadores da profissão que ela diz querer seguir”, afirma.

As páginas que originaram as postagens no Twitter foram excluídas. Mesmo assim, Janice Ascari afirma que é possível identificar a autoria das mensagens. “É um mito essa história de que as pessoas são anônimas na internet”, afirma.

A assessoria de imprensa do Ministério Público Federal informou que só pode se manifestar sobre o caso após um de seus procuradores analisar as denúncias.

A análise pode levar a uma investigação do próprio MPF, o encaminhamento do caso à Polícia Federal ou ainda o arquivamento, se o caso não for considerado crime.

O escritório de advocacia Peixoto e Cury informou nesta quarta que Mayara Petruso foi sua estagiária “mas não faz mais parte dos quadros do escritório”. “Com muito pesar e indignação, [o escritório] lamenta a infeliz opinião pessoal emitida, em rede social, pela mesma, da qual apenas tomou conhecimento pela mídia e que veemente é contrário, deixando, assim, ao crivo das autoridades competentes as providências cabíveis”, disse em nota.

O G1 tentou entrar em contato com Mayara Petruso na tarde desta quarta, sem sucesso.

1 de novembro de 2010

As incertezas e as surpresas que as urnas deixaram de herança - Parte 2 (A missão...)

18:39 | , ,

Pois bem, caro leitor. Começamos um feriadão com um dever cívico: Votar. Essa votação elegeu, ontem, nove governadores e o futuro presidente do Brasil. Aliás, elegeu, como diz a própria, a presidenta.

Testemunhamos ontem uma vitória histórica. Dilma Rousseff foi aclamada pela vontade popular como a primeira mulher a se eleger no mais importante cargo eleitivo brasileiro na história. Com cerca de 55% dos pouco mais de 99 milhões de votos válidos, a mineira radicada em Porto Alegre venceu um pleito bem movimentado.

Creio que foi uma decisão acertada da maioria dos brasileiros. Dilma era a representante da continuidade. O governo do qual ela fazia parte é o mais bem avaliado da história (Ultimamente vem atingindo mais de 80% de popularidade). E muitos não queriam ver uma "quebra" das atitudes tomadas pelo presidente Lula e que suas ações não fossem modificadas. Ao meu ver, os eleitores optaram pela continuidade de políticas públicas e sociais, além de apoiarem obras de maciço desenvolvimento de infraestrutura e tecnologia.

Os eleitores preferiram também continuar com as políticas de desenvolvimento econômico. Acharam melhor ficarem com juros baixos, economia estável e em crescimento do que voltar a época das privatizações e salários baixos, política bastante praticada no governo FHC.

A eleição pode ter se dado também por motivos ideológicos, assim como em 2002. O público quer experimentar pensamentos novos, ideologias diferenciadas, formas sólidas de se conduzir um país. Lula fez isso quando assumiu o poder - Isso se espera também de Dilma.

Mas, um fato chamou a atenção: Muitos, sobretudo nordestinos, votaram nela achando que, na verdade, era Lula que era candidato (Como se ela fosse apenas uma marionete dele, onde ela era presidente de faxada). Ora, os dois parecem ter bastante diferença. Enquanto ele é simples e bem humorado, ela parece ser mais centrada, séria, até rude algumas vezes. E outras diferenças devem aparecer no governo. Ela, com certeza, não será e nem terá qualquer esteriótipo do atual governante. Ela deve zelar para que sua imagem seja independente do atual presidente. Ela não pode-se deixar levar nesse gancho. O governo dela deve ter suas particularidades.

Aproveito para parabenizar, também, José Serra. Foi um candidato batalhador, que propôs até boas idéias para os eleitores. Mas, pecou por alguns momentos arrogantes, propostas falhas, apoio incondicional, vexatório e enfadonho da mídia e, sobretudo, pela campanha acusatória que fez. Acho que ele, dessa vez, aprendeu a não usar o horário eleitoral para calúnias e difamações - Por isso, vem a tona seu principal motivo de derrota: Sua rejeição popular.

Outro fato me chamou a atenção como futuro comunicólogo: O público não se deixou influenciar pela mídia. Televisões, como a Globo, revistas como a Veja e alguns sites da internet eram claramente a favor do candidato derrotado e o que veiculavam deixava isso bem exposto. As pessoas, enfim, resolveram votar por princípios e propostas, pensando nos seus benefícios, deixando de lado o que os apresentadores e jornalistas passavam no seu material, deixando de controlar a "marionete" que o consome. Dessa vez, a mídia não conseguiu eleger seu candidato e vai ter de aturar a vontade popular.

Não poderia deixar de comentar o resultado de pleitos para governador. Dois locais eu destaco: A Paraíba - Que teve uma acirrada votação entre o ex-prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho (PSB), e o atual governador, Zé Maranhão (PMDB); O ex-mandatário da capital ganhou e volta a consolidar como líder político, mesmo sem mandato, o ex-governador Cássio Cunha Lima (Que teve mais de 1 milhão de votos e não foi eleito senador) - e Roraima - Onde a diferença foi de menos de 1% entre José de Anchieta (PSDB) e Neudo Campos (PP); Ancheita se reelegeu para mais 4 anos de mandato.

E agora são quatro anos de desafios e realizações. Vamos torcer para que Dilma e os nove governadores eleitos ontem façam um bom mandato e, daqui a 4 anos, eu possa comentar o trabalho deles para o prol de nosso país. Parabéns, Dilma!

Conheça a trajetória da primeira mulher presidente do Brasil

18:13 | , ,

Créditos: G1
Foto: Roberto Stuckert Filho (G1)
A primeira mulher eleita presidente do Brasil, Dilma Vana Rousseff, é uma mineira radicada no Rio Grande do Sul, filha de uma professora e de um imigrante búlgaro. Neste domingo (31), a economista – e avó – de 62 anos conquistou o direito de exercer seu primeiro cargo eletivo. À trajetória dela se misturam alguns dos episódios marcantes da história recente do Brasil, como a resistência à ditadura, a redemocratização do país e a consolidação de uma ordem política equilibrada entre dois blocos pelo PT e pelo PSDB.

Dilma nasceu em 14 de dezembro de 1947, em Belo Horizonte. Entrou na política ainda no antigo colegial, na oposição ao regime de exceção instaurado em 1964. Começou na Organização Revolucionária Marxista – Política Operária (Polop), movimento que, na sua origem, era uma espécie de coalizão de dissidentes, com quadros do PCB, do PSB e do trabalhismo, além de trotskistas e outros marxistas. Na Polop, ela conheceu o primeiro marido, Cláudio Galeno de Magalhães Linhares. Ao lado dele, mais tarde, optou pela luta armada e se juntou ao Comando de Libertação Nacional (Colina).

O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel conheceu Dilma nessa época e é amigo pessoal da nova presidente até hoje. “A Dilma é, e sempre foi, uma pessoa muito inteligente, acima da média. Ela tem uma bagagem cultural muito grande, lia muito desde menina, talvez por influência do pai”, conta. O pai, Pedro Rousseff (Pétar Russev, na língua materna), era um imigrante búlgaro que criou os três filhos com rigidez europeia em Minas Gerais. A mãe, Dilma Jane Silva, era professora.

Em 1970, quando já fazia parte da Vanguarda Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), Dilma Rousseff foi presa pela Operação Bandeirante e detida no Departamento de Ordem Política e Social (Dops), onde foi torturada. Condenada pela ditadura, foi levada ao Presídio Tiradentes. Foi libertada no fim de 1972 e se mudou para Porto Alegre, terra de seu segundo marido Carlos Franklin Paixão de Araújo, com quem teve sua filha, Paula.

“Dilma teve uma experiência muito dura na prisão”, conta Pimentel. “Por isso, é uma pessoa que conhece muito bem onde estão os seus limites. Isso faz dela uma mulher muito forte”, diz o ex-prefeito.

Na capital gaúcha, ela cursou ciências contábeis na Universidade Federal do Rio Grande do Sul de 1974 a 1977. Com a volta de Leonel Brizola ao país após a Anistia, Dilma se filiou em 1980 ao recém-fundado Partido Democrático Trabalhista (PDT). Até 1985, ela trabalhou como assessora de deputados do partido na Assembleia Legislativa do estado.

“Dilma tem uma biografia política relativamente recente”, afirma o cientista político Marcelo Coutinho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Ela começa com um papel em um momento histórico muito importante para o país. Depois, se retira, passa a se dedicar mais à família e reaparece no Rio Grande do Sul, para atuar junto ao PDT”, explica.

O ex-governador do RS Alceu Collares conta sobre a atuação de Dilma nos primórdios do PDT. “Dilma estava junto com a gente desde o começo das conversas sobre o que a gente queria que fosse o movimento dos trabalhistas”, conta. “Fizemos reuniões para montar nosso plano de governo para Porto Alegre. Grande parte desses programas foi feita na casa dela”, diz ele.

Em 1987, Dilma foi secretária das Finanças da prefeitura da capital gaúcha, sob a gestão de Collares. Em 1989, virou diretora-geral da Câmara dos Vereadores. Quando Collares foi eleito governador do estado, Dilma passou ao cargo de presidente da Fundação de Economia e Estatística (FEE) do RS, onde ficou de 1991 a 1993, quando virou secretária de Energia, Minas e Comunicações.

“Escolhi a Dilma para as duas secretarias porque ela sempre demonstrou muita experiência. Ela é uma mulher determinada”, afirma Collares. “Dizem que ela é brava. Não é. É determinada”, afirma.

Com o fim do mandato de Collares, a nova presidente do Brasil voltou para a FEE, até 1997. Em 1998, Olívio Dutra, do PT, foi eleito governador com o apoio do PDT de Dilma e ela voltou à Secretaria de Energia, Minas e Comunicações. Mas quando Brizola e o PDT romperam com os petistas, Dilma e outras lideranças do partido no Rio Grande do Sul optaram por deixar o PDT e se unir ao PT de Dutra.

“Ela vinha de uma linha brizolista, mas sempre teve uma ligação muito forte com o PT, então não foi uma grande surpresa”, diz Coutinho.

Dilma ficou no cargo até o fim do governo Dutra, em 2003, e participou das negociações do governo do Rio Grande do Sul com o governo federal para gestão da crise energética de 2001.
Foto: EFE / MSN
Governo Federal: Quando Lula assumiu o governo, Dilma foi chamada para assumir o Ministério das Minas e Energia e evitar um novo apagão. “É aí que ela passa a ter um papel de fato importante”, avalia o professor da UFRJ. “Dilma teve ampla liberdade para montar sua equipe e fez um trabalho positivo”, afirma Coutinho. “No mais, é uma passagem que se destaca por uma forte lealdade ao presidente Lula, que garante que ela abra espaço no governo”.

No ministério, Dilma apresentou um modelo para mudar a regulamentação do setor elétrico, mantendo a presença privada, mas aumentando as funções de regulamentação e controle do Estado. E lançou o projeto “Luz para Todos”, para levar energia elétrica às áreas rurais ainda não atendidas pelas redes principais do país.

Após o escândalo do mensalão, que derrubou o então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, Dilma foi convidada por Lula para a função, em 2005. “Na Casa Civil, Dilma coordenou todas as ações do governo, as bem e as mal sucedidas”, diz Marcelo Coutinho.

Ali, ela trabalhou na formulação do principal projeto do segundo mandato de Lula, o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), um conjunto de iniciativas de infraestrutura, habitação, transportes e geração de energia. Repetidas vezes, durante o lançamento do projeto e a campanha presidencial de 2010, Lula a chamou de “mãe do PAC”.

Para Alceu Collares, a popularidade de Lula na presidência se deve diretamente ao trabalho de Dilma. “Quando o Dirceu estava lá, a Casa Civil fazia encaminhamentos de projetos. Com a Dilma, passou a cuidar da execução de projetos”, diz ele. “A minha observação é que quando a Casa Civil passou a ter alguém que estava fazendo um bom trabalho, começou o aumento na popularidade do presidente”, avalia.

Em abril de 2009, Dilma convocou uma coletiva de imprensa para anunciar que estava se submetendo a um tratamento contra um câncer em seu sistema linfático. Após sessões regulares de quimioterapia em São Paulo, seus médicos anunciaram que ela estava curada em setembro do mesmo ano.

Em março de 2010, Dilma deixou o cargo no governo para se lançar à Presidência da República, apoiada por Lula. Para seu lugar, ela indicou Erenice Guerra, que, em setembro, se demitiu após ter seu nome envolvido em suspeitas de tráfico de influência na pasta.

Para Coutinho, a indicação de Dilma Rousseff à Presidência era um movimento esperado desde 2008. “Em 2008, Lula já tinha claro quem ele queria lançar para sua sucessão e essa pessoa era a Dilma”, afirma. “Apesar da pouca tradição e de um perfil mais burocrata, ela foi aprendendo nos últimos meses a ser política”, avalia.

Conhecida pela personalidade forte, Dilma é “afável no trato pessoal”, segundo Fernando Pimentel. “É uma pessoa muito divertida entre amigos e familiares. No trabalho ela é muito exigente, consigo mesma e, logo, com os outros”, afirma.

“Dilma caminha na vida política brasileira com consciência”, diz Alceu Collares. “Ela não se deixa levar por oba-oba e toma decisões de acordo com sua consciência”, afirma.

Para Marcelo Coutinho, o brasileiro pode esperar “um governo de relativa continuidade”, mas “uma líder menos carismática”. “É normal historicamente que líderes extremamente carismáticos, como foi Lula, sejam seguidos por pessoas mais low profile”, afirma.