11 de outubro de 2010

Título mais difícil do Brasil tem noites em claro, dilema e termina com "E daí?"

10:57 | , , ,

Créditos: Uol
Doença, problemas físicos, dilemas, explicações, noites em claro e a trilha sonora de “E daí?”. Esse foi o roteiro da seleção brasileira masculina de vôlei nos últimos 20 dias. O resultado de reuniões e tratamentos madrugadas adentro acabou recompensado com o título do Campeonato Mundial, o terceiro consecutivo do time verde-amarelo na competição. Diante de tantos percalços, a equipe classificou a conquista na Itália como a mais difícil do Brasil.

A seleção iniciou a disputa no dia 25 de setembro sem um levantador reserva. Na época, Marlon ainda estava muito abatido e realizava exames para descobrir o verdadeiro problema no sistema digestivo. Uma colite ulcerativa foi diagnosticada, o jogador ficou em tratamento a base de remédios e perdeu as duas primeiras fases do Mundial.

Leandro Vissotto sentiu o calcanhar, Murilo teve cãimbras na panturrilha. Tudo foi superado aos poucos. O levantador Bruninho machucou o tornozelo após levar pisão acidental de Murilo. E era dúvida para a final. Mas o titular jogou, e bem, na decisão contra Cuba e o Brasil não teve dificuldades em vencer e conquistar o tricampeonato – igualando feito da Itália campeã em 1990, 1994 e 1998.

“Por todos os problemas físicos, este foi o título mais difícil. Conversávamos que até 2009 nunca tinha acontecido problemas assim ao longo de uma competição. Dizíamos até que éramos sortudos. Este teve o Marlon, que nem era problema físico, mas sim fisiológico. Depois o Bruno e eu mesmo”, afirmou Murilo, eleito o melhor jogador do Mundial.

Para disputar a final, Bruninho ficou fazendo tratamento com gelo e fisioterapia até 5h da manhã. E não foi somente esta noite mal dormida durante o Mundial. Na véspera do jogo contra a Bulgária, a equipe participou de uma longa reunião que invadiu a madrugada. A justificativa oficial é que era para decidir se o Brasil pouparia seu único levantador disponível por estar gripado.

O dilema se estendeu até 5h da manhã. E a decisão final foi a de não utilizar Bruninho e improvisar o oposto Théo. O discurso pronto de falar em usar o regulamento foi quebrado por Mário Júnior após a conquista do título. O líbero foi o primeiro a admitir com todas as letras que a seleção entregou o jogo para a Bulgária para ter caminho mais fácil no Mundial.

“Foi uma situação difícil desde o início. Não sabíamos se íamos poder contar com o Marlon e o Bruno não vinha sendo titular, mas fez uma reta final de Mundial excepcional. Mas são dificuldades que fortalecem. Sob pressão, este time tem demonstrado a sua força”, elogiou o técnico Bernardinho.

Polêmicas à parte, o Brasil entrou em quadra no domingo para decidir o título mundial contra a algoz da primeira fase: Cuba. E atropelou. Com o 3 a 0 na decisão, subiu ao lugar mais alto do pódio pela terceira vez seguida. A festa começou na quadra e terminou no hotel e a superação foi a palavra mais usada nas entrevistas. No ônibus, a delegação voltou ao som de “E daí?”, de Guilherme e Santiago, que diz: "E daí se eu quiser farrear tomar todas num bar sair para namorar. O que é que tem?".

Com o tri, Bernardinho fecha década de glórias: ‘Mais do que eu merecia’

10:48 | , , ,

Créditos: Globoesporte.com
Foto: Globoesporte.com
Há exatos nove anos, quatro meses e 29 dias, Bernardo Rocha de Rezende sentou-se à beira da quadra e, pela primeira vez, emprestou seu estilo enérgico à seleção masculina de vôlei. Era a estreia do Brasil na Liga Mundial de 2001, na Holanda, uma vitória dramática sobre os donos da casa no tie-break. Naquela noite, não havia muletas por perto. O técnico estava livre para pular, correr, gritar, morder a bola e, principalmente, injetar na equipe verde-amarela sua obsessão pelo perfeccionismo. Naquele dia, em Groningen, Bernardinho não imaginava que, ao longo da década seguinte, rechearia seu currículo com troféus e medalhas de todas as espécies. Neste domingo, abriu espaço para uma conquista que nenhum colega de profissão tem: o tricampeonato mundial.

- Trabalho pensando sempre na próxima competição. É assim que eu funciono. Se eu imaginava conquistar tudo o que conquistei? Não imaginava. Talvez tenha vencido mais do que merecia - afirmou o comandante após a conquista deste domingo.

Foi com a cara do técnico que o Brasil conquistou um ouro e uma prata em Olimpíadas, oito títulos da Liga Mundial, dois da Copa do Mundo e dois da Copa dos Campeões e os três Mundiais em 2002, 2006 e 2010. Este último veio contra tudo e todos, na Arena de Roma, coroando uma campanha cheia de percalços. Inclusive para o próprio treinador, que se viu limitado por um par de muletas após uma cirurgia no pé esquerdo.

A bota “Robocop” limitou a movimentação à beira da quadra, mas não impediu o técnico de levar o Brasil a mais uma conquista. Os exageros à beira da quadra tiveram de ser substituídos por gestos e gritos, caras e bocas. E não foram poucas.

Em Verona, ainda na primeira fase do Mundial, Bernardinho estava nitidamente desconfortável. Acostumado com a liberdade de pular e andar, via-se preso a uma cadeira posicionada especialmente para ele ao lado da comissão técnica. Mas se a perna não lhe deixava ficar de pé, as mãos ganharam novas funções. As mesmas mãos do levantador que, em 1984, ajudaram a seleção brasileira a conquistar a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, agora se transformaram na válvula de escape para empurrar a nova geração.

Na cidade de Ancona, já na segunda fase, as dificuldades físicas ganharam companhia: a crítica moral. Após o “jogo da vergonha”, contra a Bulgária, cresceram os ataques da imprensa italiana e a hostilidade dos donos da casa. De olho em um caminho mais tranquilo, o Brasil entrou com Theo de levantador, poupou Murilo. Perdeu, avançou e mergulhou em desconfiança. A postura da seleção virou manchete de jornal: “escândalo”, “palhaçada”, “vergonha”. No ginásio, o técnico foi agraciado com faixas que lhe chamavam de covarde.

- Eu já esperava por essa reação. Todos são contra o Brasil - disse o comandante, sem esconder o abatimento com toda a polêmica.

A resposta tinha de vir na bola. Na semifinal contra os italianos, Bernardinho já conseguia ficar sem as muletas e a bota nos treinos. Tentava não polemizar e deixava o confronto para os comandados. Mencionava uma restrição velada com dificuldades impostas pela organização italiana, mas não comentava a suposta “sabotagem”. A carga de revolta do treinador já tinha dado as caras antes mesmo do campeonato, no embarque para a Europa, quando argumentou que o regulamento era favorável aos donos da casa.

Covarde? Bernardinho mostrou o contrário em quadra. Derrubou a Itália sem piedade na semi e fez o mesmo com Cuba na decisão. Cobrou Leandro Vissotto durante todo o Mundial para vê-lo brilhar nas duas últimas partidas. Fez parecido com Marlon, controlando o ímpeto do levantador, que insistia em jogar mesmo com uma inflamação no intestino. Coisa de quem conhece o grupo que tem em mãos. Coisa de quem se acostumou, como nenhum outro técnico do vôlei mundial, a levar seu país ao alto do pódio.

8 de outubro de 2010

Pense numa mazela...

11:55 | , , , ,

Pois é, caro leitor. Como você deve ter lido abaixo, realmente estamos vendo o resultado de uma das maiores mazelas que o Brasil vive: A prostituição. Mas, o que mais me revolta é o estímulo a pessoas tão jovens pra praticar a profissão mais antiga do mundo.

É revoltante você ver meninas tão jovens, com 10, 11, 12 anos vendendo seu bem mais precioso, o seu corpo, por uns trocados ou um punhado de drogas. Isso é terminantemente lamentável.

Mas, é feito muito barulho quando se divulga um estudo desse - Que, por sinal, foi muito bem feito pela PRF. Só que, nem as autoridades, nem a população se lembra de um detalhezinho básico quando se sabem dados como esses: O que causa essa migração para a prostituição? Hein?

Se fizessem essa pergunta, todos iriam saber respoder facilmente: Está na falta de políticas públicas para melhor condição de vida dessas crianças e adolescentes. Ora, quem é que vai querer viver apenas com uma "Bolsa Família" da vida, se ela só seria suficiente pra comer? É óbvio que quem migra para a prostituição, na maioria das vezes, não tem condições suficientes para viver e se sustentar. É preciso emprego para os pais dessas jovens. É preciso melhorar as condições básicas de onde esse povo mora. É preciso renda para esse povo. É preciso escola, saúde, segurança... Se eu for listar tudo, não daria tempo de completar essa postagem.

Espero que o nosso próximo governo faça algo para melhorar essa situação. É estarrecedor você ver uma menina jovem com um caminhoneiro parrudo e velho. Mas, é possível mudar essa situação, através de políticas públicas que dêem as famílias dessas garotas as melhores condições possíveis de se viver, pois boléia é só pra caminhoneiro.

RN é 6º no ranking da prostituição

11:33 | , , ,

Créditos: Tribuna do Norte
Uma parceria entre a Polícia Rodoviária Federal com a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, a Organização Internacional do Trabalho e a organização internacional Childhood Brasil, resultou num trabalho de mapeamento das zonas onde ocorrem, possivelmente, exploração de crianças e adolescentes. No ranking nacional, o Rio Grande do Norte ocupa a sexta colocação com 110 pontos mapeados. O maior índice ocorre nas zonas urbanas com 78 pontos identificados contra 32 no perímetro rural.

Em nível nacional, foram catalogados 1.820 pontos de risco para exploração sexual de crianças e adolescentes.  Os locais se espalham por 66 mil quilômetros de estradas, sendo 67,5% deles nas áreas urbanas. No estado, o número de pontos suspeitos é o mesmo do ano passado – 110 – sendo a maior parte deles próximos a cidades de grande porte, como Natal e Mossoró.

Para o inspetor da PRF, Roberto Cabral, a manutenção do mesmo índice do ano passado demonstra que o trabalho desempenhado pela Polícia em parceria com os demais órgãos está dentro do esperado. “O trabalho que vêm sendo feito é de evitar a expansão dos pontos. Não tenho dúvidas de que isso é um ponto positivo.” A região Nordeste é a que ocupa o maior número de pontos registrados pelo estudo, seguida da região Sul e Sudeste.

Os dados fazem parte da quarta edição do Mapeamento de Pontos Vulneráveis à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes nas Rodovias Federais 2009/2010, apresentado nesta quarta-feira pela Polícia Rodoviária Federal. A PRF optou por não especificar os locais estudados para que os suspeitos não mudassem suas rotinas ou mudassem de endereço, impedindo a aplicação de ações corretivas. No ano passado, os locais foram divulgados e os trabalhos ficaram ameaçados devido à migração dos criminosos para outras localidades.

De acordo com o estudo, os estados que detêm o maior índice de locais vulneráveis são aqueles que possuem as maiores malhas viárias. Os pontos se concentram, na zona rural, próximos aos postos de combustíveis. Nesses locais, os motoristas de caminhão e carretas descansam durante a noite. É justamente nesse horário que as crianças e adolescentes se oferecem para fazer programas. Muitas das crianças que se encontram nessa situação ainda não entraram na puberdade.

No estado, as abordagens aos veículos suspeitos ocorrem em blitze realizadas pela Polícia Rodoviária Federal nas principais vias de saída do estado. “Realizamos a abordagem dos veículos e visualizamos se as crianças e adolescentes que estão dentro do carro são familiares ou têm alguma ligação com os adultos. Nós sabemos o perfil de quem abusa das crianças e adolescentes nas estradas”, analisa Cabral.

Os agentes que realizaram o trabalho de campo preencheram um questionário em cada local visitado e utilizaram níveis de risco para classificar os pontos vulneráveis à exploração sexual.  Como as respostas tinham valores distintos, foi possível atribuir diferentes graus de risco aos pontos identificados - baixo, médio, alto e crítico.

Os indicadores para definição do nível de risco foram: existência de prostituição de adultos, ocorrência de exploração sexual de crianças e adolescentes com base em relato policial nos últimos dois anos, registro de tráfico/consumo de drogas nos últimos 24 meses, e presença constante de crianças e adolescentes no local visitado. Outros fatores como comércio de bebidas alcoólicas, presença de caminhoneiros e existência de iluminação também foram considerados para definição do grau de risco. O estudo conclui que os pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes ocorrem com maior frequência em estradas que ligam regiões mais desenvolvidas a outras menos desenvolvidas e nos corredores de escoamento da produção industrial.

Bahia e Paraná têm maioria dos pontos críticos de prostituição de crianças e adolescentes em estradas federais

11:29 | , , ,

Foto: Guarda Municipal de Varginha (MG) - Jornal Extra
Um levantamento feito em 66 mil quilômetros de rodovias federais identificou 1.820 pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes e a maioria deles, 67,5%, ficam em áreas urbanas. O mapeamento foi feito pela Polícia Rodoviária Federal, em parceria com a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, a Organização Internacional do Trabalho, e a Childhood Brasil, e apresentado nesta quarta-feira em São Paulo.

Dos 1.820 pontos, 924 são considerados críticos e 478 avaliados como de alto risco. O mapeamento indica que Bahia (117 locais) e Paraná (113) concentram o maior número de pontos críticos nas estradas, com 24,9% do total, seguidos por Rio Grande do Sul (75), Minas Gerais (66) e São Paulo (51). O Rio de Janeiro tem 30 pontos listados.

Nesta terça-feira, em Eunápolis, três adolescentes, de 15 e 16 anos de idade, foram achadas pela Polícia Rodoviária Federal às margens da BR-367, pedindo carona. Elas disseram ter vindo de Itabuna e que queriam chegar a Porto Seguro. No momento em que os policiais chegaram, elas eram abordadas por um homem de 64 anos, morador de Porto Seguro. Foram levadas ao Conselho Tutelar de Eunápolis e o homem, para a polícia judiciária.

Por região, foram identificados 545 pontos no Nordeste, 399 na Região Sul, 371 nos estados do Sudeste, 281 no Centro-Oeste e 224 na região Norte.

Nas estradas com maior fluxo de veículos, os pontos estão mais concentrados. Nas estradas federais que cortam São Paulo, por exemplo, a distância média entre os 92 locais identificados é de apenas 11,6 km, 63% deles em áreas urbanas. Ou seja, locais onde a sociedade pode detectar o problema com mais facilidade. Em Minas Gerais, a distância média entre os 133 pontos é de 45,9 km. No Rio de Janeiro, são 98 pontos, o que corresponde a um a cada 15 km.

De acordo com o levantamento, os cinco estados estados com maior número de locais vulneráveis são justamente os que detêm as maiores malhas viárias. Nos principais eixos rodoviários do país estão 45,7% dos pontos identificados. Segundo a PRF, são normalmente estradas que ligam regiões mais desenvolvidas a outras menos desenvolvidas.

Ao longo da BR-116, que recebe várias denominações e liga Nordeste, Sudeste e Sul do país, foram identificados 262 pontos. Na BR-101, que serve à mesma região, são 187.

Entre 2005 e 2009 foram recolhidos e encaminhados a Conselhos Tutelares 2.036 meninos e meninas encontrados em locais deste tipo. No total, 951 pessoas foram presas em flagrante.

Os locais identificados como de risco para prostituição infantil concentram ainda outros ilícitos, como venda e consumo de drogas, prostituição e tráfico de seres humanos. O levantamento mostra que 100% abrigam prostituição de adultos, 90% apresentam indícios de tráfico de drogas, 80% são locais de concentração de caminhoneiros e 70% estão localizados perto de vilarejos. O projeto piloto foi feito com 294 caminhoneiros e cada um deles apontou dois pontos.

No primeiro levantamento deste tipo, feito em 2003, foram identificados 844 pontos. O aumento, porém, é atribuído ao fato de o levantamento ter sido aperfeiçoado.